Análises Multiplataformas

Análise – Death’s Door (PS5)

Um indie charmoso com visuais lindos e combate frenético e desafiante.

Depois de um sucesso discreto em 2015, com “Titan Souls”, a Acid Nerve regressa com mais um jogo: “Death’s Door”, um jogo isométrico de ação e aventura com elementos RPG.

Este jogo retrata a história de um pequeno corvo que trabalha numa empresa que coleciona almas de diferentes seres, sendo-lhe atribuída a missão de colecionar 3 almas gigantes em 3 distintos locais para abrir a mítica “Death’s Door”, para onde transitam as almas após a morte. Ao longo da aventura iremos também encontrar um considerável leque de personagens secundárias que demonstram uma vertente mais cómica e divertida na escrita deste jogo, algo que apreciei bastante.

Visualmente, “Death’s Door” é bastante apelativo, possuindo um estilo que faz lembrar uma pintura e uma direção artística muito variada e interessante ao nível dos designs dos diferentes inimigos e locais que exploramos, correndo a uns suaves 60fps a 4K nativo na PS5 e Series X, com a versão PS4, Nintendo Switch e Xbox One a correr a 30fps em resoluções menores, obviamente.

O áudio é outro dos grandes destaques deste jogo, possuindo uma banda sonora, composta por David Fenn, que adiciona impacto em todas as cenas e dá um ar distinto a cada nova zona que encontramos pelo mundo, podendo ser ouvida no Spotify.

Ao nível da jogabilidade, tal como o anterior jogo da Acid Nerve, bebe inspiração de “The Legend of Zelda” para criar uma aventura com grande foco na exploração e combate. O combate em particular é extremamente satisfatório, cada ataque tem peso e o impacto é palpável a cada momento e o “button mashing” é altamente desencorajado pelo que é necessário aprender os padrões inimigos para se ter sucesso.

Pelo mundo temos diversos colecionáveis e segredos por desvendar, nomeadamente umas sementes, que quando plantadas em jarros espalhados pelo mundo cumprem o papel de Item de cura do jogo, algo bastante interessante, mas que por vezes pode tornar algumas lutas ligeiramente frustrantes se não tivermos nenhum jarro por perto. Temos também diversos itens para aumentar a nossa vitalidade e magia, armas novas, bem como objetos perdidos com algum “lore” adicional para encontrar.

Falando nas lutas, os bosses deste jogo são incríveis: lutas grandiosas com uma variedade de ataques satisfatória, conseguem ser bastante intensas na reta final do jogo onde curas são um luxo e temos de evitar ao máximo cometer erros, sendo o jogo surpreendentemente um desafio à altura de muitos jogadores mais “experientes” no género em que se insere, já que é necessário utilizar ao máximo todas as ferramentas ao nosso dispor.
Os elementos RPG consistem no sistema de “Souls”, que lembra os jogos da From Software, e com as quais podemos aumentar as nossas stats nas diferentes vertentes de combate do jogo.

O meu único problema ao nível da jogabilidade é que por muitas vezes notei que em certas regiões a perspetiva isométrica me fez julgar mal distâncias ou cair para o abismo, especialmente na luta final onde é preciso alguma precisão e por muitas vezes falhei completamente o alvo. Em momentos mais calmos é aceitável, mas em momentos quando estamos mais pressionados pode-se tornar frustrante.

Também ressalvo a ausência de um mapa, o que pode tornar a navegação uma confusão nas zonas mais expansivas, tanto que muitas vezes dei por mim a dar “Return to the title screen” e a reiniciar a zona para começar no local de partida porque já não me recordava exatamente onde este se encontrava.

O Dualsense, um já habitual tema em análises de jogos da PS5, é como quase sempre um grande positivo deste jogo: o efeito embora um pouco mais suave que o habitual, é incrível como o “Haptic Feedback” nos avisa onde estão os projéteis e os ataques inimigos, bem como dá um peso e impacto notáveis a cada um dos nossos ataques, tornando cada luta uma satisfação não só a nível de jogabilidade como também de sensação. Denoto porém que os gatilhos adaptativos não são utilizados, mas ainda assim é uma excelente implementação do comando, provavelmente uma das melhores até à data.

Em suma, “Death’s Door” é um excelente jogo, um dos melhores do ano para mim, possuindo uma incrível identidade visual e sonora associada a um combate brilhante e frenético, embora peque em algumas áreas sem grande relevância, não destoando na qualidade geral do jogo, não deixando de merecer a minha classificação de 8.5/10.

Agradecemos à Devolver Digital pelo código dado, sem o qual esta análise não seria possível.

Death’s Door no OpenCritic


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