Análises Multiplataformas

Análise – Marvel’s Guardians of the Galaxy (PS5)

Charmoso e divertido, o novo jogo da Eidos acerta no alvo em muitos aspectos, ainda que venha com uma jogabilidade repetitiva.

Desenvolvido pela veterana equipa da Eidos Montréal, responsável por jogos como os recentes “Deus Ex” e “Shadow of the Tomb Raider”, chega-nos “Marvel’s Guardians of the Galaxy”, um jogo de ação e aventura baseado no grupo de super-heróis da Marvel.

Este jogo retrata a história desta equipa pouco depois da sua formação, começando com a sua partida para uma missão na qual procuram ganhar algum dinheiro, mas que rapidamente descarrila e os põem numa autêntica jornada para salvar todo o universo de uma inevitável destruição.

Embora a história pareça simples, é facilmente o ponto mais alto deste jogo, possuindo uma escrita ao nível das personagens simplesmente sensacional, especialmente as inúmeras interações e picardias entre os diferentes membros, algumas não só um deleite ao nível do humor como mesmo nas referências feitas à longa história da equipa nas bandas desenhadas, acabei o jogo apegado às diferentes personagens e com vontade de as ver num futuro próximo numa eventual sequela.

Esta escrita é elevada pelas bastante boas prestações vocais dos diferentes atores do elenco, dando personalidades acentuadas às diferentes personagens que encontramos ao longo da aventura, fiquei surpreendido serem atores com poucas creditações ao nível da representação vocal, porque estiveram bastante bem neste jogo.

Visualmente, este jogo é simplesmente fantástico, ostentando uma direção artística de topo combinada com uma qualidade gráfica incrível, realço em especial a utilização de cores ao longo da aventura, as áreas mais fechadas não são tão apelativas, mas os diferentes planetas que viajamos conseguem ser do melhor que vi até agora nesta nova geração, as opções visuais incluem: Modo Fidelidade a 4K/30fps, Modo Ray Tracing a 1440p/30fps(modo no qual joguei para esta análise) e, por fim, Modo Performance a 1080p/60fps. No geral a performance é sólida mas encontrei algumas quebras de fluidez nas zonas finais do jogo e tive alguns problemas com “stuttering” e certas coisas a dar load repentinamente à minha frente, o que por vezes era algo irritante em certas cinemáticas.

Ao nível do áudio a banda sonora é, como já seria de esperar desta propriedade depois dos filmes feitos sobre esta equipa, um encanto para qualquer fã de música dos anos 80, possuindo cerca de 35 músicas licenciadas que me agradaram bastante com a sua utilização, especialmente durante alguns dos combates chave.

A jogabilidade, porém é onde este jogo mais fraqueja e fica aquém do seu verdadeiro potencial, sendo um jogo de ação e aventura na terceira pessoa extremamente linear, fazendo lembrar os jogos da geração da PS3 e Xbox 360, o que não é propriamente mau, de todo, mas que se pode tornar cansativo, especialmente para alguém que valoriza a exploração dos cenários, existem alguns colecionáveis mas ao ser um jogo linear, por vezes se dermos um passo a mais à frente poderemos ficar sem possibilidade de voltar atrás, algo que é bastante irritante para quem quiser completar totalmente esta aventura de uma só vez, de realçar que a visibilidade destes mesmos colecionáveis é um pouco má, as caixas são facilmente visíveis mas os arquivos são tão pequenos e têm um efeito tão esbatido que em muitas regiões não os vi de todo até estar praticamente colado a eles.

O combate, infelizmente, também não é tão bom quanto eu gostaria, embora divertido e interessante o conceito de poder ordenar diferentes habilidades dos outros guardiões à medida que controlamos Peter Quill é engraçada, mas os combates mais tardios acabam por ser hordas de “Bullet Sponges” autênticas que me entediaram, especialmente quando nos últimos capítulos não ganhamos experiência nenhuma o que torna inútil a mecânica de “combos” que o jogo tem se mantivermos boa sinergia com a equipa.
Também gostei do conceito do “Huddle Up” em que a meio do combate falamos com a equipa para a animar e dar buffs a todos, mas acaba por ser inconsequente na grande maioria das vezes.

Tem bosses engraçados com bons conceitos, mas mesmo estas lutas ficam aquém do seu potencial dada a natureza repetitiva do combate, acabando por ser no geral mais do mesmo, sendo algo que espero ver corrigido numa possível sequela.

A implementação do Dualsense deste jogo é bastante boa, embora não tão robusta como um “Returnal” ou “Deathloop”, é bastante satisfatório disparar e recarregar as armas de Quill com os gatilhos adaptativos do comando, e o “Haptic Feedback” torna a experiência mais imersiva nas cinemáticas e ao disparar as armas e diferentes modos de disparo.

Em suma, como um todo “Marvel’s Guardians of the Galaxy” é um entusiasmante vislumbre do potencial desta equipa de heróis ao nível dos videojogos, com uma história e escrita excelentes associadas a uma vertente audiovisual de topo, altamente restringida por uma estrutura algo genérica e um combate desapontante e repetitivo, ainda assim é uma boa e agradável experiência para os fãs e não só, pelo que irei atribuir a classificação de 7/10.

Marvel’s Guardians of the Galaxy no OpenCritic


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