Análise: “Marvel’s Spider-Man”

Depois de muita espera finalmente foi lançado um dos grandes títulos deste ano. Marvel’s Spider-Man é a primeira tentativa da Insomniac Games em adaptar um dos super heróis de banda desenhada mais populares de sempre num jogo. Dizer apenas que “conseguiram” é subestimar a qualidade da produtora e do jogo.

O Homem-Aranha já ganhou várias adaptações para jogos ao longo dos anos, tendo sido o primeiro, Spider-Man em 1982 para a Atari 2600, e até hoje, destacou-se com alguns títulos surpreendentes, e alguns infames, destacando: Spider-Man para a PlayStation, Spider-Man 2 para a PlayStation 2, Spider-Man Web of Shadows e Spider-Man Shattered Dimensions como jogos do “aranhiço” que eu joguei e gostei. Embora já termos recebido vários jogos, o exclusivo de PS4 criou enormes expectativas pela qualidade de produção dos estúdios da Sony ultimamente e pela Insomniac Games ter um histórico de videojogos respeitável. Veremos se Marvel’s Spider-Man alcançou essas expectativas.

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Visualmente, Spider-Man mantém a alta qualidade gráfica a que fomos habituados com os exclusivos da PS4. Infelizmente só pude experimentar o jogo numa PS4 comum, ainda assim é impressionante como uma consola de 2013 consegue correr estes jogos com imenso detalhe e precisão. Sim, lamentavelmente, apenas corre a 30 fps, mas com o day 1 patch é super estável e quem está habituado a 60fps ou mais, leva apenas alguns minutos a familiarizar-se com o framerate ao ponto de não incomodar mais.

A cidade de Nova Iorque está lindíssima neste jogo, as ruas estão sempre lotadas de pessoas com quem o Homem-Aranha pode interagir, podem reparar em pequenos animais nas ruas, como esquilos a correr, e até festas nos telhados dos arranha-céus. A Insomniac fez um bom trabalho em criar uma cidade viva e cheia de detalhes. Detalhes esses que muitos fãs da banda desenhada vão adorar. Podem fotografar vários pontos de referência na cidade, sejam estes reais, como o Empire State Building e o Central Park, ou fictícios, como a torre dos Vingadores e o Santuário do Dr. Estranho.

Ao atravessar a cidade encontrarão muitos criminosos a provocar o caos, pertencentes a várias facções estes criminosos acabam por ser diferentes em aspecto, mas iguais em movimentos e habilidades, em qualquer grupo irão encontrar bandidos normais; o brutos que provocam mais dano e caem menos facilmente; alguns armados e outros mais velozes e difíceis de apanhar; as tropas da Sable têm uma unidade de jetpack única e os Demons têm o poder do Mr. Negative. Cada tipo de inimigo tem uma fraqueza diferente para aumentar o desafio ao jogador em vez de simplesmente carregar no botão de contra-atacar ou atacar para os derrotar todos. Os designs mais interessantes vêm claramente dos vilões principais, a Insomniac tomou a liberdade de criar novos conceitos aos vilões populares da banda desenhada, e adicionou detalhes interessantes a fazer alusão à origem dos mesmos, como o Electro ter uma cicatriz na cara na forma da máscara que ele usa nos comics, ou a forma da máscara do Vulture ser um bico de Abutre. Pessoalmente gosto de ver variações e novos desenhos em relação ao conteúdo original sem o desvirtuar, e no caso do Marvel’s Spider-Man apreciei muito os novos designs.

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Uma das partes mais importantes nos jogos do Homem-Aranha é o web-swinging, a própria Insomniac disse que trabalharam imenso no movimento do jogo para conseguir transmitir a sensação perfeita de estar na pele do herói e, posso confirmar que o swinging está fenomenal. Baloiçar de prédio em prédio em Nova Iorque é fácil, intuitivo e satisfatório. O Homem-Aranha pode baloiçar normalmente nas teias, impulsionar-se para a frente com um premir no “X” ou lançar-se contra uma superfície e disparar-se para uma direcção para ganhar mais velocidade. Isto junto com correr por paredes e mergulhar de altos pontos proporcionam-nos com um sistema de movimento fluído que compensa quem está sempre em locomoção. Após algumas horas de treino estarão a atravessar a cidade numa questão de minutos, em elegância.

Quanto ao combate, Spider-Man tirou notas do sistema popularizado pela série Batman Arkham e melhorou a sua base, graças à agilidade do Spidey o combate é muito flexível, as animações misturam-se entre si homogeneamente e sente-se cada golpe. Os inimigos são incessantes e podem atacar vários ao mesmo tempo, têm de ter cuidado e estar sempre atentos aos sinais que o Spidey dá, graças ao seu sentido aranha, quando os inimigos estão prestes a golpeá-lo, se forem descuidados não tardará muito para o herói perder a vida com tiros de armas ou armas corpo-a-corpo. O combate acaba por divertido e varia o suficiente para não se sentir repetitivo. Infelizmente há pouca variedade nos inimigos e poucas boss battles. É um aspecto que deve ser mais explorado na potencial sequela, pois os jogadores com menos paciência certamente se aborrecerão após algumas horas a combater o crime.

Para além de espancar criminosos e baloiçar pela cidade, Marvel’s Spider-Man quebra o ritmo com puzzles na forma de “Circuit Boards” e “Spectographs“, o primeiro são puzzles inspirados nos populares “Pipe Games” onde têm de conectar um ponto ao outro através de “tubos” à vossa disposição, e no segundo têm de preencher os espaços vazios dum espectrograma com as opções vos dadas.  Os puzzles são todos simples e não devem dar nenhum problema aos jogadores, mas se se encontrarem presos, há uma opção para os saltar, nas definições do jogo. Em todo o caso, são divertidos de resolver e não retiram mais tempo do jogo, do que é preciso.

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O mundo está repleto de coleccionáveis e side-quests para completar, desde mochilas do Peter com itens dele que poder ver – enquanto o mesmo os descreve e os relaciona a um momento da história dele até agora, a tarefas oferecidas por civis, como ir à procura de um amigo de um estudante pela cidade ou procurar os pombos de um homem sem abrigo perdidos pela cidade. Podem infiltrar esconderijos de criminosos para os abater, de forma furtiva ou não, e realizar pesquisas de campo para o Harry Osborn, através de centrais que ele construiu nos telhados dos edifícios, e desafios contra o tempo que acabaram por ser um pouco frustrantes caso eu quisesse alcançar a melhor classificação. Ao completar essas actividades ganham “tokens” e pontos de experiência, podem usar a experiência para subir de nível e desbloquear novas habilidades, e os “tokens” para criar ou melhor novos engenhos e fatos para usar, cada fato desbloqueia uma habilidade especial exclusiva, e embora haja várias habilidades interessantes, eu acabei por usar a mesma do início ao fim do jogo, por ser extremamente mais útil que o resto. Tudo isto são boas actividades para realizar enquanto, ou depois, de completar a história principal, que vão aumentar o vosso tempo de jogo consideravelmente. Mas tal como disse acerca do combate, o jogo poderá tornar-se bastante repetitivo com a falta de variedade dentro das actividades.

A história de Peter Parker neste título encontra-se 8 anos depois dele ter recebido os seus poderes, as disputas com o Wilson Fisk (aka Kingpin) chegam ao fim no primeiro acto deste jogo, e após o deter, o nosso herói descobre que a cidade está descontrolada sem o Fisk para controlar os criminosos. O Spider-Man terá de enfrentar vários grupos e vilões que querem tomar o poder da cidade e dominar toda a sua rede criminosa. Através desta narrativa podemos explorar não só o Spider-Man como o herói do dia-a-dia, como o Peter Parker, a sua família e amigos chegados. O jogo fez um bom trabalho em humanizar o nosso protagonista, mostrou-nos não só alguns dos seus melhores momentos, como as piores alturas da sua vida dupla, graças também ao bom trabalho dos voice actors e à escrita, que se mantiveram consistentes do início ao fim. O Homem-Aranha aprendeu uma lição, e no final desta aventura, vemo-lo mais vulnerável que nunca. Contudo, não pensem que não irão ouvir todas as piadas e insultos a criminoso a que foram habituados com este personagem. O humor da Insomniac adequa-se perfeitamente ao Peter Parker e toda a sua atitude certamente vos fará rir.

O jogo está dividido em 3 actos, e embora os primeiros dois terem sido metódicos, o terceiro desiludiu-me por ter apressado demasiado o ritmo. Dos 6 grandes vilões do jogo, 4 são apresentados no 3º acto e rapidamente descartados, as suas boss battles foram divertidas, mas penso que podiam ter sido bem mais explorados. Não obstante, a conclusão foi emocional e eficaz.

Falta apenas mencionar a banda sonora espectacular. O compositor John Paesano (que participou também em Detroit: Become Human Mass Effect: Andromeda) transmitiu muito bem a sensação épica de se ser o Homem-Aranha – o tema principal relembra até ligeiramente o tema dos filmes do Sam Raimi – e é uma OST que se acomoda perfeitamente ao humilde Homem-Aranha.

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Após ter platinado o jogo em pouco mais de 30 horas, posso dizer que o jogo é fantástico tanto para os fãs dos comics como para os fãs mais casuais. A boa narrativa e o combate divertido são bons aspectos e até o livre movimento de prédio em prédio vos manterá agarrados ao ecrã durante algumas horas. Contudo, se detestam repetitividade, Marvel’s Spider-Man mostrar-se-á mais aborrecido perto do fim. Tendo acabado tudo o que tinha para fazer e admito que sou grande fã do Homem-Aranha, posso dizer que quero mais e fico ansiosamente à espera dos DLC’s e de uma sequela. A classificação mais adequada que posso dar ao jogo é de 8.5 em 10. A Insomniac Games está de parabéns.

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