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Gears Tactics – Análise

Na E3 em 2018, a Xbox anunciou três novos jogos no universo de Gears of War. Gears 5, a sequela à linha principal de jogos da série. Gears POP!, um spin-off para telemóvel. E Gears Tactics, um spin-off de estratégia por turnos, ao estilo de XCOM, criado pela Splash Damage com a assistência da The Coalition. Gears Tactics está disponível para PC na Steam, Microsoft Store e no Xbox Game Pass, irá ser lançado mais tarde na Xbox One.

Sendo um fã de ambos, Gears of War e o género táctico – XCOM 2 é um dos meus jogos favoritos – desde o anúncio de Gears Tactics que eu tinha boas esperanças para uma iteração da série neste formato. E posso dizer que gostei do tempo que passei com este jogo.

Os Visuais

Sem surpresas, Tactics segue fielmente o estilo artístico da série, sobretudo a era da 360. Sendo uma prequela ao primeiro jogo, numa era onde a guerra contra os Locust começara, os castanhos e cinzentos sombrios reinam sobre o ambiente e terras insípidas depois da invasão dos inimigos. As texturas e modelos são de alta qualidade e as animações, especialmente as cutscenes – são surpreendentes dentro do género – tendo cutscenes ao nível que mantêm a qualidade da série principal. Junta isto à coerência visual, os típicos personagens que parecem ser modelados com base no Brock Lesnar se este tivesse uma armadura com o mesmo peso que ele, e Tactics executa impecavelmente a sensação de estarmos a jogar Gears of War com uma perspectiva top down.

Contudo, com esta lealdade ao produto original, surgem uma ou duas ressalvas. Uma delas é a sensação de estagnação das zonas. A maior parte dos níveis sabem ao mesmo – um deserto com meia dúzia de edifícios – e a reutilização de níveis e recursos não ajuda. A outra é que devido à semelhança nas armaduras e armas entre os personagens, torna-se difícil ao jogo esclarecer as diferentes classes e personagens visualmente. Pelo que têm de recorrer ao HUD, ou então podem editar a armadura dos vossos personagens. E usar armadura rosa, amarela ou vermelha, embora ajude na claridade visual, quebra a imersão e sinto que estou a usar os Power Rangers. Também tive pop-ins ocasionais, mas nada que estragasse a experiência.

O jogo correu a 60 frames constantes no meu PC com Ryzen 3 1300X/GTX 1060 6GB a 1080p com praticamente todas as opções em High e Ultra. Há imensas opções gráficas e várias opções de acessibilidade como tamanho do texto, colorblind mode e um narrador, a optimização do jogo é de louvar.

Som

Tactics não vai além do que precisa no departamento de som. A fidelidade à série original continua em força aqui como, por exemplo, com os efeitos sonoros da Lancer ou da Gnasher Shotgun a desfazer grubs em pedaços, estabelecendo evocando a típica brutalidade da série. Podem ouvir os pesados passos dos Boomers à distância ou os pequenos mas irritantes Tickers a aproximar-se com um barril de líquido explosivo às costas, mesmo que não os consigam ver pelo fog of war.

O voice acting segue a mesma linha, seja Noshir Dalal como Gabe Diaz ou Bruce Thomas como Sid Redburn, as performances são sólidas no geral e os atores fazem o seu melhor para executar as falas, mesmo as mais “edgy“. Devo também mencionar que em mais que uma ocasião, não consegui ouvir o perceber certas falas embora aparecessem nas legendas. Pareceu-me tanto um erro onde o som não executava, e noutras alturas, uma má nivelação de som onde a banda sonora ou efeitos sonoros se sobrepunham ao voice acting.

A banda sonora de Edward Patrick White suporta a narrativa e ambiente do jogo sem desrespeitar a natureza mais metódica da jogabilidade táctica. Músicas como a Motor Pool reforçam o sentimento de desolação do mundo apocalíptico de Gears, e enquanto decidimos o nosso próximo movimento enquanto enfrentamos inúmeros inimigos em combate somos acompanhados por uma orquestra épica e pesada, como no caso da Corpser.

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Narrativa

Gears Tactics conta a história de Gabe Diaz (pai de Kait Diaz, a protagonista do Gears 5), um dia após o Emergence Day. Gabe, em conjunto com Sid Redburn, é encarregue de assassinar um cientista dos Locust chamado Ukkon, que é responsável por criar várias criaturas terríveis dos Locust.

Tactics segue uma narrativa linear com um enredo simples e é na minha opinião, o aspecto principal mais fraco do jogo, embora não seja mau. O enredo é apenas um condutor ao gameplay, onde os personagens não são propriamente relacionáveis e os diálogos limitam-se mais a contextualizar o enredo do que a aprofundar as personagens. Felizmente, a narrativa não interfere no gameplay e funciona melhor como um regulador do ritmo do jogo. Todavia, na reta final do jogo senti que houve uma transição brusca para o boss final e conclusão, talvez por causa das side missions obrigatórias que servem de filler entre as missões principais.

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Gabe Diaz e Sid Redburn

Gameplay

Gears Tactics pega na fórmula vencedora de XCOM, remove-lhe o base management e aumenta a flexibilidade em campo com três movimentos por personagem em vez de dois num sistema de AP. Este aumento de dois para três movimentos dá uma maior margem de manobra e amplia opções no combate. Tactics junta ainda certas mecânicas ao seu gameplay loop que resultam num combate dinâmico e táctico que vejo como uma boa evolução do género. Uma das mecânicas principais de Gears Tactics é a “execução”. Quando reduzem a vida de um inimigo a 0, este pode ser imediatamente morto, ou então apenas incapacitado. Quando um inimigo está incapacitado, este pode ser revivido pelos aliados, ou executado por uma das nossas personagens, ao executarem um inimigo, todos as vossas personagens (à excepção da personagem que executou) ganham um ponto de habilidade. Isto cria situações interessantes onde eu tinha de escolher entre executar um inimigo, mas em contrapartida estaria a mandar um dos meus personagens para uma posição mais vulnerável, ou então usava o inimigo incapacitado como isco, para poder matar qualquer grub que o tentasse reviver.

A outra mecânica que quero realçar é o overwatch, embora já exista noutros jogos, no caso de Gears Tactics, podem escolher uma zona específica para o vosso personagem se focar, quando um inimigo passa por essa zona, o vosso personagem dispara, quantos mais AP tiverem quando usam o overwatch, mais vezes o vosso personagem disparará. Escusado será dizer que isto reforça o aspecto táctico do jogo, onde podem apenas defender uma certa entrada, ou querem que o vosso personagem dispare quando o inimigo está mais perto para que a probabilidade de acertar seja mais alta.

Gears Tactics tem uma boa variedade de inimigos, e estes são ainda mais perigosos aqui que na série principal. Eu sabia que as coisas iam complicar sempre que aparecia um Boomer, um Theron Guard ou um Kantus. Num jogo deste género, as vossas personagens são tão frágeis como os inimigos, e qualquer erro pode vos custar o combate, por outro lado, há uma enorme satisfação quando o vosso plano corre na perfeição e conseguem derrotar um grupo de elites sem levar dano. E, ao derrotarem um Boomer ou um Theron Guard, podem apanhar as armas explosivas deles com munição limitada para desfazer grupos de inimigos.

As zonas estão bem desenhadas e geralmente incentivam a várias aproximações aos combates, com caminhos e coberturas diferentes e formas de flanquear os inimigos ou de ser flanqueado. Contudo, certos posicionamentos de edifícios ou zonas altas para os snipers pareceram-me um pouco aleatórios, lugares que pareciam servir posições vantajosas acabavam por desapontar, principalmente quando eu gosto de usar snipers em lugares altos e distantes da zona de conflito principal, mas encontrava uma obstrução entre esse lugar e o ponto de conflito, tornando essa posição vantajosa inútil.

Gears Tactics divide-se em main missions e side missions. As main missions avançam o enredo e costumam ser mais variadas. As side missions são apenas uma forma de prolongar a longevidade do jogo e não têm qualquer valor narrativo (o que não é necessariamente mau). Para desbloquear uma main mission, têm de fazer um certo número de side missions, terão sempre de escolher quais side missions querem fazer, pois há sempre mais opções que o número necessário, e não podem completar todas. Todas as side missions têm um objectivo opcional que vos desbloqueia mais equipamento, e um modifier. É aqui que entra a dificuldade artificial de Gears e os spikes de dificuldade do jogo. modifiers ridículos que acabam por tornar as missões frustrantes em vez de desafiantes. Um dos piores casos para mim foi ter de realizar uma Scavenger Hunt (um tipo de missão onde têm de apanhar equipamento enquanto estão a ser bombardeados, a zona de bombardeamento vai avançando por isso têm de estar em movimento constante enquanto apanham as caixas e combatem os inimigos), o modifier limitava as minhas personagens a apenas dois pontos de movimento, numa missão onde o movimento é chave, só consegui realizá-la com muita sorte, e sacrificando três personagens dos quatro que foram em missão. Noutra side mission tinha de defender dois pontos com apenas duas personagens onde ondas e ondas de inimigos nos atacavam, mais uma vez, com muita sorte e várias repetições consegui completá-la, e mesmo assim só uma das personagens sobreviveu. Ambas missões foram muito mais difíceis que qualquer main mission ou boss fight no resto do jogo.

Perto da segunda metade do jogo, as missões também começaram a tornar-se mais repetitivas, não por causa da fórmula, mas porque eram as mesmas missões que as anteriores (na mesma zona e tudo), com um modifier e objectivo opcional diferente.

Entre as missões, podem recrutar soldados, mudar-lhes o equipamento e escolher quais skills estes devem aprender (sempre que um soldado sobe de nível, pode aprender dois skills). As skill trees oferecem muitas opções e habilidades aos soldados, praticamente criando subclasses dentro das classes. E o equipamento também é variado o suficiente com as armas e armaduras tendo diferentes passivas a adaptarem ao vosso estilo de jogo. Apenas fiquei desiludido com a falta de pistolas e granadas, só há uma pistola e duas granadas em todo o jogo (ao contrário da série principal). Podia também haver uma forma de desfazermos o equipamento antigo para formarmos equipamento novo e melhor, em vez de se tornarem inúteis. Há também muitas opções de customização dos personagens, podem alterar a cor, material e padrão do equipamento. E nas personagens não Heróis, podem alterar o seu aspecto físico.

Concluindo

Gears Tactics é uma tradução sólida do universo de Gears para o género táctico por turnos, e como fã, gostei das ~30 horas que passei no jogo da Splash Damage, diverti-me na maior parte delas, mas houve dois ou três momentos frustrantes. As opções de combate e estratégia são divertidas e satisfatórias, embora a repetitividade de missões torna-se monótona, e os spikes de dificuldade, frustrantes. Não obstante, fiquei com fome para mais e espero que a Xbox Games Studios expanda este jogo com DLC ou uma sequela. Classifico Gears Tactics com um 7 em 10. Seria difícil aconselhar a compra do jogo por 70€, mas estando no Xbox Game Pass, é uma recomendação fácil.

Gears Tactics no OpenCritic


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