Praise the Sun – Saros (Análise)

Lançado em 2021, Returnal foi um dos primeiros grandes exclusivos da atual geração de consolas, e embora tenha sido um jogo formidável no que à jogabilidade dizia respeito, o pobre estado técnico em que foi lançado tornou-o difícil de recomendar no lançamento, mas após uns meses de atualizações e até mesmo um excelente DLC gratuito, Returnal é agora um dos melhores jogos da geração e chega-nos agora o seu sucessor em tudo menos nome, Saros, que procura expandir a experiência dada pelo antecessor em tudo.

Saros conta a história de Arjun Devraj, um membro da equipa Echelon IV que foi enviada para o planeta Carcosa após a perda de contacto com as anteriores três equipas enviadas para colonizar o planeta e extrair a sua matéria prima, lucenita, um mineral com propriedades únicas e bastante rentável. Arjun é então obrigado a descobrir o que se passou neste planeta e às equipas anteriores, vivendo num ciclo constante de vida e morte em que o mínimo erro o obriga a regressar à sua base de operações.
No geral a premissa da narrativa é sólida, mas o elenco de personagens e as cutscenes constantes, em oposição à abordagem mais minimalista e vaga de Returnal parecem-me um franco pé atrás, acabando por não ser uma história muito memorável e talvez a parte em que o jogo mais me desiludiu.

No que aos visuais diz respeito, Saros é fenomenal, não só correndo numa resolução superior a Returnal como apresentando uma excelente implementação de HDR que associada à direção artística o tornam um deleite visual tanto no que aos cenários diz respeito como em especial nos tiroteios com centenas de partículas e ataques na nossa direção. A performance é também excelente, correndo a 60fps estáveis e possuindo VRR nativo para limar as raras ocasiões em que falha ligeiramente este alvo.
Os biomas são especialmente um destaque pois além de variados todos eles destacam-se pela sua estética e conceito escolhido, desde um pântano a uma montanha coberta de folhagem vermelha, sendo esta última o meu bioma favorito pois com HDR o vermelho vivo contrapõem-se bem com a chuva de cores que enchem o ecrã nos tiroteios.

A banda sonora, composta por Sam Slater, é também bastante boa, misturando bem músicas atmosféricas com temas bombásticos para os tiroteios mais frenéticos, em especial durante os bosses.

Mas onde o jogo brilha mesmo é na sua jogabilidade, que pega em tudo o que Returnal fez e decide expandir de forma eximia cada uma das mecânicas desse jogo, sendo ainda mais frenético, dinâmico e divertido, especialmente na reta final em que temos dezenas ou mesmo centenas de melhorias permanentes, uma das grandes novidades deste titulo em relação ao antecessor, permitindo Arjun tornar-se uma máquina de carnificina imparável, sendo cada confronto mais uma sugestão que propriamente um desafio.
E isto deve-se muito à introdução das já mencionadas melhorias permanentes, que tornam o jogo muito mais acessível e satisfatório de se progredir que Returnal, que era uma experiência relativamente estática nesse aspeto, permitindo estas melhorias aumentar diversas estatísticas que trivializam muita da dificuldade do jogo, em especial quando aliadas aos modificadores de Carcosa, um conjunto de modificadores que moldam exatamente como é a nossa experiência no jogo, alguns benéficos como dano extra e outros prejudiciais como destruição de acessórios após x confrontos, permitindo ao jogador moldar exatamente o seu nível e reta de dificuldade, algo que apreciei bastante.

Por falar em confrontos, os combates com bosses deste jogo são fenomenais tal como em Returnal, embora nenhum se compare ao quarto boss desse jogo, todas as lutas aqui são um deleite visual e um desafio competente que explora todas as mecânicas aprendidas ao longo do jogo e normalmente onde ocorrem as sequências mais memoráveis de todo o jogo, havendo lutas que passam por várias transições épicas seja de arena ou de paisagem.

Tal como o seu antecessor, Saros apresenta também uma pequena vertente Metroidvania, havendo imensos segredos e locais que só podem ser obtidos após a obtenção de ferramentas permanentes especificas, desde de um gancho a um parry que nos permite repelir um tipo especifico de projéteis que escondem determinadas zonas, incentivando esta exploração constante dos cenários mesmo na reta final.
Por falar nas zonas, o jogo oferece-nos a possibilidade de recomeçar runs subsequentes diretamente na última área alcançada ou então começar do inicio do jogo e alcançar a zona pretendida já com Arjun todo bombado e com carradas de melhorias, algo que até recomendo porque torna o jogo um autêntico passeio.

A implementação do Dualsense é sensacional tal como o seu antecessor, utilizando o Haptic Feedback de forma eximia, embora denote uma ligeira regressão no mesmo, não avisando do timing de recarregamento das armas como Returnal, tornando esta mecânica um pouco mais chata porque já não temos uma janela de premir o botão tátil, sendo esta apenas visual, ainda assim um dos melhores jogos até hoje a utilizar o comando da PS5, em especial no que toca a dar a cada arma a sua sensação diferente, tendo cada uma delas um modo de fogo alternativo que é ativado premindo apenas o L2 até metade, algo que adorei em Returnal e aqui é mais uma vez uma forma excelente de utilizar os gatilhos adaptativos.

Em suma, Saros é um jogo formidável em praticamente todos os aspetos, acabando por ser Returnal 2 em tudo menos nome e fazendo a experiência ainda mais divertida, satisfatória e, acima de tudo, acessível para quem não conseguiu passar o anterior jogo, sendo uma fácil recomendação para qualquer detentor de uma PS5, pelo que lhe atribuo um 9/10.

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