Menos de 2 meses após o lançamento do fantástico Resident Evil Requiem, a Capcom regressa com mais um excelente jogo, Pragmata, que procura juntar à ação frenética de jogos de ação na terceira pessoa o raciocínio de pequenos puzzles de hacking, resultando numa dinâmica bastante cativante.
Pragmata começa com uma equipa que se desloca à lua para reparações após as comunicações com esta base terem sido interrompidas, mas a situação rapidamente dá para o torto, e apenas um dos membros sobrevive. Hugh, o nosso protagonista que rapidamente se encontra com D-I-0336-7, um robô com a aparência de uma pequena rapariga, carinhosamente chamada de Diana por Hugh para facilitar.

Juntos trabalham para travar IDUS, a IA responsável pela gestão da base e todas as terríveis coisas que estão a acontecer, formando-se uma ligação forte entre os nossos dois protagonistas à medida que o enredo se desenrola.
E esta conexão entre Hugh e Diana é sem dúvida o ponto forte do jogo, sendo a sua química palpável e a tempos extremamente realista, muito ajudada pela prestação de David Menkin e Grace Saif, respetivamente, que fazem um trabalho formidável a fazer-nos preocupar com estas personagens.

A nível visual o jogo é bastante bom, especialmente a tecnologia de cabelo usada em Diana e os vários cenários que exploramos no decorrer do jogo têm alguns momentos que fiquei parado a apreciar o cenário, embora sinta que o jogo peca um pouco na variedade dos mesmos até certo ponto, dado o local onde a ação decorre percebe-se a quantidade de corredores idênticos mas ainda assim é um pouco desapontante a variedade de cenários ser a exceção e não a regra, porque quando o jogo se afasta das paredes brancas e corredores futuristas e uniformes tem resultados bastante bons, esta sobreutilização de corredores brancos é também prejudicada por uma quantidade excessiva de aliasing na imagem, mesmo no modo resolução na PS5 base.
Por falar nesse modo, temos os 2 modos habituais ao nosso dispor, resolução e performance, onde a única diferença é a presença de Ray Tracing ou a sua ausência em troca por maior fluidez, normalmente escolho performance mas quis testar a implementação de VRR deste jogo e os resultados foram mistos, o jogo em sítios fechados é basicamente irrepreensível, mas assim que chegamos a uma área mais expansiva a fluidez cai a pique, mesmo com VRR, pelo que recomendaria o modo performance se não tiverem uma televisão com esta tecnologia.

A banda sonora, composta por Yasumasa Kitagawa, é bastante boa, complementando bem a ação frenética e a estética tecnológica desta base lunar, podendo ser ouvida aqui.
O jogo procura uma mistura entre a ação dinâmica frenética de um típico shooter na terceira pessoa e um minijogo de hacking para expor os pontos fracos inimigos em tempo real, resultando numa combinação não só inovadora, mas extremamente cativante de se dominar, sendo as lutas, especialmente as mais tardias um deleite para fãs de jogos de ação pois requerem não só reflexos como também pensamento rápido e planeado para melhor abordar cada inimigo.

Ao nosso dispor existem diversas armas espalhadas pelo cenário para apanharmos, fazendo lembrar o sistema de Vanquish e de Uncharted, em que as armas são temporárias e temos de as apanhar se as queremos recarregar, algo que gosto bastante, mas sinto que há algumas vastamente superiores a outras, pelo que se não encontrarmos nenhuma dessas para recarregar estamos sem sorte, algo que torna certos encontros frustrantes pois ao contrário de Vanquish só as podemos melhorar na nossa base e não à medida que apanhamos mais da mesma arma, pelo que em certas lutas nos temos de contentar com armas de nível 1 em detrimento de uma, por exemplo a caçadeira que estaria a nível 6.
Além disso, existe uma razoável variedade de inimigos que me surpreendeu, especialmente tendo em conta que é um jogo relativamente curto, temos vários tipos de inimigos e cada um deles completamente diferente do anterior, e os combates com bosses são também um ponto alto no jogo, sendo épicos e razoavelmente desafiantes, diria que o meu único grande problema é mesmo a vida dos mesmos, especialmente na dificuldade mais alta, sinto que o jogo beneficiaria de inimigos com menos vida para tornar o combate ainda mais frenético e divertido, talvez em troca de ter mais inimigos no ecrã mas ligeiramente mais frágeis, denoto também alguns pequenos problemas a gerir que inimigo estamos a hackear nas lutas mais frenéticas, não havendo forma de nos focarmos num especifico com um lock-on ou algo do género, sendo um pouco frustrante por vezes.

Existe também uma substancial vertente de exploração que gostei bastante, havendo vários segredos e colecionáveis para fortalecer Hugh nos diversos setores da base, havendo mesmo alguns que requerem poderes que obtemos mais tarde, fazendo lembrar um pouco um Metroidvania, e dada a natureza relativamente curta dos níveis raramente o jogo entedia com o backtracking e procura de colecionáveis, estando muitas vezes em locais orgânicos e não muito distantes do objetivo chave.
A implementação do Dualsense é bastante sólida também, nada do outro mundo como outros jogos da Capcom, mas ainda assim bastante satisfatório no que a cada arma o feedback do mesmo diz respeito.

Em suma, PRAGMATA é um excelente jogo, e quiçá o começo de uma nova franquia que embora ainda tenha umas arestas por limar é sem dúvida uma experiência que vai marcar o ano de 2026, pelo que lhe atribuo um 8/10.
