Halo: Campaign Evolved – Master Chief como sempre antes visto (Análise)

Já fazem quase 25 anos desde o lançamento de Halo: Combat Evolved, um dos first person shooters mais influentes e importantes de sempre e uma das minhas campanhas favoritas dentro do género. Para o seu 25º aniversário, Halo recebe um remake que, apesar de seguro, lima algumas das arestas do clássico e torna-o mais acessível. Está também pela primeira vez acessível nas consolas da Sony: para além das plataformas da Microsoft, esta nova edição foi também lançada para a Playstation 5.

Após o seu anúncio, a minha esperança para o Halo: Campaign Evolved era que tomasse mais um pouco de liberdade e resolvesse alguns dos problemas que tenho com o original: Os corredores repetitivos e a falta de variedade do original sentem-se mais e mais quando o rejogam e eu revisitei o jogo há cerca de 2 anos em Co-op com um amigo. A sensação de deja vu tornou-se uma piada recorrente nas nossas sessões de jogo. Ainda é super divertido, especialmente em Co-op, mas um pouco mais de frescura podia elevar e modernizar a experiência. Campaign Evolved resolve isso, pelo menos até certo ponto: Os novos visuais ajudam, mas alguns níveis foram alterados para variar mais em vez de passarem o jogador pelo mesmo corredor após mesmo corredor, e faz com que a campanha não seja tão monótona em missões como a infame The Library.

Visualmente, a modernização visual foi bem traduzida: as localizações e armas de Halo sempre gabaram uma identidade visual muito única, mesmo para um género que eu penso que consegue ser muito derivativo e, durante o jogo nunca deixei de estar imerso no mundo de Halo. Se tivesse de apontar uma zona onde eu senti mesmo “Sim, isto é o Halo que eu conheço”, foi na ainda excelente missão “The Silent Cartographer”. Conduzir o Warthog pela praia enquanto os aliens inimigos te tentam explodir, e com visual icónico do Halo (leia-se: o anel flutuante no espaço, não o jogo) a extender-se pelo que talvez seja o único uso que já vi de um “Verizonte” é o que eu consideraria “o melhor de Halo”. Em resumo, são visuais coesos e fiéis, ainda que, no geral, não ache que vão competir com os melhores visuais da geração até agora.

A jogabilidade em si não se afastou do original. Acho que os fãs concordam que Halo sempre foi intemporal nesse aspeto, as armas continuam satisfatórias (houve algumas adições ao arsenal que só tinham sido introduzidas nas sequelas), e podemos agora fazer sprint. Os inimigos são os mesmos, e ainda podem usar e abusar das granadas para criarem o vosso próprio fogo de artifício extraterrestre. O combate em si não era um aspeto que eu achasse que fosse ser alterado, nem que precisasse muito de o ser: Alterações indiretas ao jogo, como a variedade de inimigos ou o design dos níveis teria prioridade ao combate em si, e como disse acima, houve algumas alterações aos níveis (alterações pouco disruptivas ainda assim), se bem que eu não me queixaria se tivessem sido mais corajosos em mudanças no ritmo e estrutura de missões da campanha principal.

Campaign Evolved traz consigo, de mãos dadas com a campanha original, uma breve prequela de 3 episódios (também protagonizada pelo Chief). E o que é que estas missões extra trazem? Mais Halo. Vai de encontro ao meu desabafo em cima: é segura. Funciona? Sim, e é divertida, mas deixou-me a pedir por mais e melhor. Não há multiplayer online (pelo menos, no sentido tradicional de online PvP), este título é focado apenas na campanha e pode ser jogada com amigos. Jogar a campanha, mais os episódios bónus durou-me pouco mais de 10 horas. É um jogo que, para todos os efeitos, não se estende demasiado. Não sei se convosco é igual, mas eu costumo preferir um jogo curto a um jogo demasiado longo.

Escrever este texto deixou-me um pouco conflituoso, porque eu gostei e diverti-me com o Campaign Evolved, é um bom jogo, mas sinto a necessidade de desabafar sobre o quão seguro foi como remake. Afinal, apesar de não estar na PlayStation, o Halo: The Master Chief Collection está bastante acessível a muitos jogadores. A versão de Halo Combat Evolved nessa coleção joga-se muito bem, por isso porque não arriscar e tentar divergir mais do original? Dar uma razão para os fãs jogarem que vá além dos visuais atualizados e algumas diferenças de gameplay (a resposta com certeza é: “Para evitar críticas dos fãs puristas do original”, o que me deixa desapontado).

Dito isto, recomendo o Halo Campaign Evolved? Se têm acesso a ele pelo Xbox Game Pass é uma recomendação fácil. Se nunca tiveram a oportunidade de jogar Halo por terem tido PlayStations este tempo todo, mas sempre tiveram curiosidade, também recomendo o jogo. É um remake certinho de um jogo clássico, o tipo de remake que usa cinto num autocarro público. Atribuo uma nota de 7 em 10.

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