Excelsior! – Marvel Tōkon: Fighting Souls (Análise)

A Arc System Works é, sem dúvida, um dos estúdios mais aclamados da indústria no que toca a jogos de luta, sendo cada um dos seus lançamentos um evento autêntico para qualquer fã no género dada a sua qualidade generalizada, especialmente após o sucesso estrondoso de Dragon Ball FighterZ e Guilty Gear Strive, regressando agora com um novo jogo, desta vez no universo Marvel, prometendo de certa forma coçar a comichão deixada pelo vazio de não termos um novo Marvel vs Capcom há 9 anos. 

A campanha deste jogo divide-se em 5 episódios diferentes, cada uma seguindo um conjunto de 4 heróis e vilões distintos, que se unem por um objetivo comum: Enfrentar-se mutuamente num torneio de forma a travar os planos de Champion, o grande vilão da trama que planeia juntar a Terra ao seu leque de mundos escravizados. 

No geral o conceito é engraçado, e a primeira campanha embora não sensacional cumpre o seu trabalho e fiquei relativamente investido, o problema é que as diferenças entre as várias histórias são virtualmente nulas e isto resulta num modo bastante aborrecido e repetitivo, especialmente porque a nível visual este modo consiste numa banda desenhada digital algo insípida, que por vezes passa uma ideia algo apressada, felizmente este modo demora apenas umas 3h a completar totalmente, logo não se alonga mais que o necessário mas ainda assim esperava algo melhor e mais trabalhado, pois mesmo FighterZ apresentava um modo narrativo ligeiramente mais interessante. 

Ao nível visual, o jogo é estonteante, utilizando um estilo cel shaded bastante reminiscente de uma banda desenhada e um anime, sendo os modelos das personagens especialmente um deleite a nível de fidelidade e detalhe, e mesmo os vários cenários bastante impressionantes comparando com outros jogos neste género, em especial áreas como Knowhere que tem 3 arenas distintas no mesmo mapa e são todas visualmente interessantes. E obviamente o jogo corre a 60fps fixos na PS5, não havendo problemas de performance que possam afetar o jogador. 

A banda sonora, composta por imensos nomes conhecidos como Toma Otowa e Daisuke Ishiwatari, é incrível, especialmente alguns temas de personagem como os de Iron Man e Spider-Man, dando a cada luta uma boa representação da personagem que utilizamos. 

Quanto à jogabilidade, estamos perante um jogo de luta tag, à semelhança dos já mencionados Marvel vs Capcom e Dragon Ball FighterZ, mas ao contrário desses jogos em vez de só 2 personagens temos 3, e a grande diferença deste jogo é que no inicio de cada partida não temos acesso imediato a todas elas, apenas a uma delas, o que torna a progressão de ferramentas a que temos acesso gradual ao longo de cada partida, pelo que para desbloquearmos as restantes temos ou de perder uma ronda ou mandar o adversário fora da arena e ativar uma transição de arena, algo à semelhança do que jogos como Injustice tinham, desta forma adicionando uma tática adicional a cada luta para tentar aceder às outras personagens, sendo um sistema que primeiro estranhei mas rapidamente entranhei. 

No que toca a mecânicas, o jogo possui várias mecânicas defensivas em que utilizamos as nossas assists para interromper ataques inimigos, embora sinta que se sobrepõem a tal ponto que se tornam algo irrelevantes a certo ponto, tendo preferido a existência de uma forma de quebrar combos permanentemente como noutros jogos da Arc System Works. 

Ainda assim este jogo é sem dúvida um dos jogos de luta mais divertidos que já joguei e bastante acessível para novatos, apresentando imensas ferramentas para facilitar a sua entrada no género, em especial os inputs direcionais que facilitam a execução de supers e ultimates, algo que adoro em qualquer fighter pois por vezes o reconhecimento de inputs mais precisos deixa algo a desejar, o que também acontece aqui infelizmente, sinto que nesta geração apenas em Street Fighter 6 me senti completamente em controlo dos inputs que efetuava. 

A nivel de conteúdo o jogo tem relativamente pouco conteúdo a solo, limitando-se à história, um modo battle royale que se assemelha a jogos como Power Stone e um modo arena com vertente de sobrevivência, que bebe um pouco de jogos roguelike mas podia ter ido um pouco além. 

A utilização do Dualsense, como já nos habituaram os jogos da Sony, é excecional a nível de haptic feedback, especialmente nas cinemáticas e lutas, dando um impacto adicional a cada golpe. 

Em suma, Marvel Tōkon: Fighting Souls é um dos melhores jogos de luta dos últimos anos e uma fácil recomendação para fãs do género e da Marvel, porém denoto que se não têm grande interesse na vertente online e competitiva é melhor procurarem outra alternativa, ainda assim sinto que é um jogo com potencial tremendo e estou curioso para ver como evolui ao longo dos anos, pelo que lhe atribuo um 8/10

Deixamos um agradecimento especial à PlayStation Portugal por ter cedido uma cópia do jogo para esta análise.

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