Análises

Análise: Devil May Cry 5

Levou 11 anos, mas a Capcom finalmente nos presenteou com uma 6ª entrada na série que definiu o género Hack ‘n Slash. Depois de uma decepcionante mudança de tom no reboot da franquia por parte da Ninja Theory, os fãs estavam receosos quanto ao que o futuro aguardava a Dante. Até à E3 de 2018, onde na conferência da Microsoft pudemos finalmente ter uma confirmação de todos os rumores de um DMC5 que surgiam meses antes. O tom de Devil May Cry 3 e 4 voltou e a direcção manteve-se a cargo de Hideaki Itsuno, o director dos jogos anteriores, à excepção do 1º, claro (e pouca influência teve no desastroso Devil May Cry 2).

Esta análise tem como base a versão para PC do Devil May Cry 5, podem comprar o jogo na Steam, PSn e Xbox One pelo preço base de 59.99€.

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Os personagens jogáveis nesta entrada: V, Nero e Dante

A história de Devil May Cry 5 segue a de Devil May Cry 4 (protagonizado também pelo Nero), tornando-se, por agora, o último jogo na cronologia da série, e mostra-nos logo de início que os caçadores de demónios enfrentam o seu maior desafio até agora. A narrativa de Devil May Cry sempre foi “goofy” e ridícula, aqui não é diferente. Embora haja o ocasional diálogo mau ou momento que me provocou um cringe considerável, nunca chegou ao nível do infame “Fuck you!” no DmC. Além do mais, defendo que todo este tom pateta é parte do charme da série. Porém, ignorando a escrita e focando-me apenas no enredo do jogo, até me entreteu, sobretudo nos momentos finais da história, onde o “HYPE” é multiplicado por 100, proporcionando momentos espectaculares.

Os visuais de DMC5 são a mudança mais clara nesta sequela. A Capcom tomou uma aproximação mais realista à arte do jogo – ao contrário do estilo mais “anime” dos anteriores – e funcionou, o jogo tem excelente aspecto, embora ache que o visual mais negro não complementa a narrativa pouco séria tão bem. Os modelos das personagens estão bem desenhados e com detalhe, reparei que o lip sync tem momentos estranhos mas é apenas um nitpick. As animações de combate estão extremamente fluídas e tenho de dar destaque às cenas da Nico com a carrinha, quando a chamam de telefone, pois conseguem ser ridiculamente hilariantes. Quanto ao design dos inimigos, têm o mesmo problema que apontei acima, os designs são criativos e repulsivos, mas penso que entram em conflito com o tom jocoso da narrativa e com os jogos anteriores, já que o aspecto dos mesmos é intimidante, não traduz o quão disparatados eles acabam por agir durante o jogo.

A performance do jogo no PC é de louvar, o RE Engine mostra-se ser um motor de qualidade, já que no meu 1300X e GTX 1060 o jogo corria (a 1080p) a 60fps perfeitos, com praticamente todas as opções ao máximo, à excepção das sombras e AA.

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Podem ou não gostar das músicas de Devil May Cry, seja a Devil Trigger do Nero ou a Subhuman de Dante, mas honestamente, a OST encaixa no jogo, à medida que a vossa performance no jogo melhora, a música vai aumentando o volume, e faz o seu trabalho perfeitamente, que é aumentar o entusiasmo do jogador enquanto proporciona – seja através da música ou gameplay – uma satisfação e entretenimento que não recebem com qualquer jogo. Os sound effects (principalmente os das armas) também melhoram imenso o impacto e brutalidade do combate. O voice acting também é bastante sólido, tendo em conta que os actores provavelmente estariam a fazer o seu melhor ao tentar transmitir todas aquelas one-liners da forma mais natural possível.

Por fim, como é a jogabilidade de DMC5? “Devil May Cry 5 tem o melhor gameplay da série até agora.” é uma resposta correcta, o Nero tem não um, mas vários novos Devil Breakers, a substituir o seu braço antigo, Devil Bringer, e graças a todos estes braços com habilidades diferentes, o arsenal do Nero torna-se muito mais variado que antes, os jogadores podem apanhar Devil Breakers do chão ou comprá-los na loja, cada Devil Breaker tem uma habilidade normal e uma mais poderosa, se levarem dano ao usarem o Devil Breaker ou se usarem a habilidade mais poderosa, o vosso braço partirá e terão de usar outro, gostava de ter a hipótese de poder trocar entre Breakers no combate, mas é impossível. Um botão dedicado ao dodge também era bem vindo, mas ao contrário de Bayonetta, o dodge não é tão importante para o combate aqui.

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O Dante tem a melhor jogabilidade dos 3. As várias armas à sua disposição, os 4 estilos e o Devil Trigger oferecem muito mais flexibilidade ao jogador e o potencial para combos é incrível. A Cavaliere e a King Cerberus são boas adições embora a Rebellion continue a ser a minha arma de escolha, por um lado até me dá vontade de ter outro Devil May Cry protagonizado apenas pelo Legendary Devil Hunter.

A respeito do V, ainda que a sua jogabilidade seja a pior dos 3, foi melhor do que eu esperava. Quando jogam com o V, têm familiares que lutam e provocam dano por vós, enquanto se mantém à distância dos inimigos. Estes familiares funcionam da mesma forma que o Nero e Dante no que toca a combos, mas são imortais (embora possam ser neutralizados por algum tempo), o V apenas tem de executar os demónios pela sua própria mão. O gameplay do V é mais repetitivo que o resto, mas também é mais fácil e mais curto.

Em Devil May Cry quanto melhor for o vosso combo mais style points ganham, e por consequência ganham mais red orbs que podem usar para comprar novas habilidades ou itens para aumentar o vosso HP máximo, por exemplo. Tal como os anteriores, DMC5 é dividido entre missões e entre as missões encontram Secret Missions, nessas secções têm de completar um desafio para ganhar um item, os desafios variam entre combate e platforming, e no que toca a platforming, DMC mostra a sua fraqueza, já que os saltos das personagens têm peso a mais sendo difíceis de controlar até terem o double jump. Nada obstante, o platforming está pouco presente neste jogo, felizmente.

A fluidez das animações acima referenciada transborda para o combate do jogo, dando um aspecto impactante e feroz a todos os ataques, ter um combo SSS é uma satisfação excelente e um bom desafio na dificuldade mais alta. Mais uma vez, penso que podiam dar mais relevância ao dodge e adaptar um pouco o game design ao mesmo, tornaria o jogo bem mais frenético.

Em suma, Devil May Cry 5 é, mecanicamente falando, o melhor jogo da saga até agora. Infelizmente, a direcção artística, apesar do bom aspecto, não entra em sintonia com o tom narrativo. Existe pouca evolução comparativamente às entradas anteriores, mas o combate fluido e frenético, combinado com umas pequenas adições ao nosso arsenal, oferecem o melhor gameplay de Dante e Nero até à data, que em contrapartida acaba por ofuscar o mais repetitivo V. Portanto, decidi oferecer uma nota de 8.3 em 10 ao jogo da Capcom.

Devil May Cry 5 no OpenCritic

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