Análises Multiplataformas

Análise – Kena: Bridge of Spirits (PS5)

O estúdio Ember Lab estreia-se no mundo dos videojogos com uma boa nota.

Após o seu anúncio na apresentação da nova consola da Sony em Junho de 2020, a Ember Lab lançou no passado dia 21 de Setembro “Kena: Bridge of Spirits” para PS4 e PS5.

Este jogo retrata Kena, uma jovem guia espiritual que ajuda espíritos perdidos a encontrar o seu rumo e a transitarem para a outra vida, ajudando mais especificamente uma aldeia misteriosamente erradicada com bastantes destas almas vagueantes à espera para descansar em paz. A história não é extraordinariamente profunda tendo uma estrutura bem simplista, mas explora bem as personagens de que cada arco trata, pelo que fiquei satisfeito com a mesma. As personagens deste jogo, tal como o enredo, não são incríveis mas para o que servem na narrativa fiquei bastante satisfeito com o seu papel e desenvolvimento ao longo desta aventura, especialmente Kena que embora não tenha sido desenvolvida tanto quanto gostaria não deixa de ser uma personagem que gostei de observar.

Ao nível visual, a Ember Lab fez um trabalho sensacional, por vezes assemelhando-se a um produto da Pixar de tão grande é a qualidade, por vezes notam-se algumas texturas menos impressionantes, mas dada a dimensão do estúdio e este ser o seu primeiro jogo não deixa de ser um resultado incrível. Contudo as cutscenes estarem só animadas a 24fps como um filme de animação tornam a transição entre a jogabilidade e as cinemáticas algo notória e deixa um pouco a desejar. Mundos vibrantes, com uma vegetação densa ou grutas sombrias em que somos guiados pela iluminação de cristais, este jogo tem bastante diversidade ao nível dos cenários que exploramos ao longo da aventura. Realço também os incríveis efeitos visuais com que certas lutas mais intensas acabam, fazendo lembrar alguns dos confrontos mais intensos de “Ratchet & Clank: Rift Apart“. Neste departamento acho que “Kena: Bridge of Spirits” só peca mais no departamento da animação, são boas, sem dúvida, mas muitas vezes notei que algumas animações acabam mais cedo que o suposto, talvez um bug ou uma questão de orçamento, mas ainda assim acontece.

O jogo na PS5 apresenta dois diferentes modos: Fidelidade (4K nativo a 30fps) e Performance (4K dinâmico a 60fps), preferi jogar a 60fps, sendo este um jogo tão frenético, e não tive grandes problemas tirando uns pequenos “soluços” desta framerate ocasionalmente.

No que toca ao áudio, a OST é bastante boa, composta por Theophany, ambienta bastante bem esta aventura e as várias cenas da narrativa. Já o restante áudio está bastante bem conseguido, especialmente aliado à tecnologia de Audio 3D da Sony, cenas como tempestades são incríveis e espero que mais jogos continuem a melhorar esta tecnologia, pois tem um potencial tremendo no que à imersão diz respeito.

A jogabilidade apresenta bastantes semelhanças com os já icónicos jogos da From Software, possuindo todas as mecânicas já conhecidas desses jogos, no entanto adiciona uma nova vertente, os Rots, que fazem lembrar “Pikmin”, sendo pequenas criaturas que Kena consegue comandar diretamente de forma a concluir puzzles ou até mesmo em combate em ataques especiais que vamos desbloqueando ao longo da aventura.

No geral este sistema de combate é bastante satisfatório, embora a estrutura algo repetitiva, fazendo muitas destas lutas um deleite de se experimentar, especialmente os bosses que são bastante bons no geral, no entanto denoto que tive imensos problemas com a funcionalidade de “Lock-On”, cada vez que o inimigo que estamos a almejar se teletransporta muitas vezes a câmara não o segue e ficamos extremamente vulneráveis aos seus ataques sem poder mexer a câmara, até que esta o decide seguir por fim, infelizmente é um bug que estraga um pouco a experiência do combate, pelo que espero que seja corrigido na maior brevidade possível.

Além deste problema denoto também um problema substancial que o jogo tem, cada vez que Kena corre muitas vezes, do nada ela para como se estivesse embatido num muro e interrompe o movimento por completo, e infelizmente mesmo na atualização mais recente deparei-me com isto, quiçá até com uma ligeira maior frequência, tornando a travessia dos mundos algo irritante.


O mundo de Kena possui diversas zonas para explorar tendo a já mencionada vila como “Hub” central pelo qual acedemos às restantes áreas à medida que avançamos na história, estes locais além de vibrantes e variados possuem diversos colecionáveis para entreter o jogador.
A estrutura do jogo assemelha-se a um Metroidvania a certos pontos, mas nunca tanto quanto um “Control”, por exemplo, pelo que acharia mais correta uma comparação a um Zelda, não havendo grandes colecionáveis bloqueados por upgrades, mas sim maioritariamente por puzzles, alguns fazendo lembrar os Koroks de “The Legend of Zelda: Breath of the Wild”, sendo uns mais crípticos que outros, mas no geral fiquei satisfeito com a experiência.

Como não podia faltar na PS5, o Dualsense é completamente suportado, seja o “Haptic Feedback” como os Gatilhos Adaptativos, no geral é uma boa implementação dos gatilhos fazendo o arco e mesmo os ataques pesados bastante satisfatórios, mas fiquei algo desiludido no que ao “Haptic Feedback” diz respeito, não sendo nada mais que uma ligeira vibração melhorada, não elevando a tecnologia como tantos outros jogos saídos até à data.

Como um todo “Kena: Bridge of Spirits” é um excelente começo de carreira para a Ember Lab, apesar das suas falhas é um “Souls-like” bastante sólido, que apesar de repetitivo na sua estrutura consegue ser uma experiência satisfatória, pelo que irei atribuir a nota de 7.5/10.

Kena: Bridge of Spirits no OpenCritic


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