Resonance: A Plague Tale Legacy (Análise) – Os ratos comeram o legado

Anunciado em 2025, Resonance: A Plague Tale Legacy é já o terceiro jogo na saga Plague Tale da Asobo Studio e funciona como uma prequela ao primeiro jogo. Eu confesso que não sou o maior fã da série, embora tenha gostado de A Plague Tale: Innocence. O primeiro jogo da série foi uma espécie de surpresa, porque apesar da narrativa ser bastante mediocre para um jogo bastante cinemático, o gameplay com o combate mais focado em levar a melhor dos inimigos com truques, o ambiente à nossa volta, e os ratos mortíferos acabaram por ser melhor do que esperava. Já a sua sequela – A Plague Tale: Requiem – frustrou-me imenso: o gameplay tinha algumas melhorias, mas a narrativa contou com decisões questionáveis e um guião fraco que ia perdendo o meu interesse ao longo da campanha. Por estes motivos, a revelação de Resonance: A Plague Tale Legacy não ressoou comigo (despachei o trocadilho logo no primeiro parágrafo!) e estava indiferente ao jogo. Contudo, está no Xbox Game Pass, então lá me atirei a ele.

Sendo prequela, Resonance muda de protagonista. Focado agora em Sophia, que foi enviada para um convento em criança e sofreu experiências que lhe causaram visões de um passado inspirado na mitologia grega de Teseu e o Minotauro. Sophia é eventualmente resgatada pelo seu pai, que legitima as visões de Sophia, procurando através delas encontrar um tesouro. Ela segue os seus passos, e a narrativa do jogo acaba por se focar no mistério das suas visões e no sacrifício dela, e dos seus amigos.

As primeiras impressões não foram positivas. Resonance não dispara logo com cenários impressionantes ou direção artística singular. Até comete os mesmos erros que os seus antecessores: é um pouco genérico e depende um bocado dos gráficos fotorrealistas, com pouca criatividade. Todavia, com o desenvolver da aventura, a narrativa e crescimento de elementos mais fantásticos tornam os cenários mais ásperos, épicos e únicos, ainda que gostaria que tivessem abraçado mais esse lado, em vez do realismo.

Com a nova protagonista, o combate também difere dos anteriores. Sophia é uma guerreira treinada por piratas desde criança, então ela enfrenta os inimigos frente a frente, quase sempre em desvantagem numérica, mas como é ágil e habilidosa, consegue facilmente derrubar os inimigos com deflexões e esquivas oportunas. Sophia não tem muitos pontos de vida, podendo ser derrubada em três golpes, mas consegue recuperar um ponto de vida sempre que derrota alguém, o que promove a agressividade no combate. Em vez de esperarem pelo ataque inimigo e correr o risco de ser sobrecarregados, devem manter-se móveis. O sistema em si é simples, mas executado de boa forma e mantém-se divertido.

O combate não é o foco primário, também há exploração e puzzles. A exploração em si não é muito expansível. Vão encontrar algumas áreas abertas com alguns cantos e recantos onde podem encontrar relíquias para coleção, joalharia que melhora as habilidades de Sophia (ainda que estas melhorias sejam aborrecidas) e se tiverem sorte, uma espada nova com uma habilidade especial. A estrutura de Resonance é bastante semelhante à de um Uncharted, onde variam e misturam exploração, exposição, puzzles e combate. Senti que os puzzles não eram muito desafiantes, mas mantinham-se divertidos. Na segunda metade do jogo, a história introduz um elemento mais assustador e tenso, e algumas secções, onde temos de evitar e fugir de um monstro conseguem ser intensas (a banda sonora ajuda bastante). Ainda assim Resonance nunca atinge realmente o alto que procura. E não há nenhuma secção de ação do jogo que eu considere particularmente memorável.

A narrativa, embora não me tenha frustrado como a de Requiem, deixou a desejar. O guião não é particularmente forte, houve alguns bons momentos, e gosto como a relação entre Sophia e outras duas personagens foi desenvolvida, mas mesmo assim há momentos de caracterização importantes demasiado abruptos, outros pouco explorados, e no geral carece do mesmo que me queixei em relação ao gameplay: um momento alto, forte e memorável para o qual a narrativa lidera ou por onde se pendura. Não obstante, há elementos interessantes. Gostei de como a história interpretou o conto de Teseu, as minhas expectativas foram subvertidas e fiquei surpreendido e satisfeito, até acho que havia ali um espaço a ser melhor explorado, mas podem ter sido questões de orçamento, ou visão dos criadores, que levou ao jogo como o recebemos.

No final de contas, Resonance: A Plague Tale Legacy é um jogo decente, talvez até demasiado inofensivo, que faz um bom trabalho no seu departamento de gameplay, mas deixa a desejar com a narrativa pouco memorável. E acaba por ser uma pena, pois durante as minhas 10 horas para terminar o jogo, não encontrei algo que puxasse o jogo para me fazer dizer “Deviam jogar isto”. Portanto, não tenho razões para recomendar Resonance. Mas posso dizer: Está no Xbox Game Pass, se tiverem a mesma curiosidade que eu, porque não experimentar? Atribuo um 6 em 10.

Leave a comment