Gotta Go Fast, com moderação – Sonic Racing Crossworlds (Análise)

Depois de uma entrada mais mediana em 2017, Sonic volta a pegar num carro com um novo jogo que promete competir olhos nos olhos com Mario Kart, tendo como mecânica principal o salto interdimensional entre diferentes pistas a meio de uma corrida.

Este jogo não tem uma narrativa ao contrário do seu antecessor, Team Sonic Racing, optando por se cingir a grandes prémios distintos que levam os jogadores a experimentar as diversas pistas disponíveis no jogo, neste modo é nos dado a escolher um rival entre o vasto elenco de personagens do jogo, sendo o nosso objetivo principal em cada corrida superar o nosso rival, o que normalmente significa ganhar cada corrida em cada taça, estes rivais também resultam num dado número de interações distintas entre as personagens, conferindo bastante personalidade e charme ao elenco presente no jogo.

Visualmente o jogo é irrepreensível, sendo bastante vibrante e colorido, em especial ao se utilizar uma televisão com capacidades de HDR, no entanto denota-se alguns cortes visuais ao nível das texturas e qualidade dos modelos, provavelmente dado o seu lançamento em consolas da geração anterior e a Nintendo Switch, ainda assim o jogo corre a 4K e 60fps praticamente imaculados na PS5, portanto sinto que foi feita a escolha certa neste aspeto.

A banda sonora conta com a participação de inúmeros colaboradores habituais nos jogos do ouriço azul, desde Tee Lopes e até mesmo Richard Jacques de Sonic R, dando cada um o seu toque a cada uma das diversas pistas com remixes bastante interessantes, destacando em especial o tema da pista Aqua Forest, composto por Takahiro Kai, que pode ser ouvido aqui.

Ao nível da jogabilidade, se alguma vez tocaram num kart racer de qualquer tipo, já experienciaram praticamente 90% do que podem esperar aqui, no entanto, este apresenta algumas mudanças à fórmula, algumas delas agradáveis, como o já mencionado salto interdimensional, que faz com que cada pista conecte a outras zonas durante a volta intermédia do percurso, e oferece uma camada extra de variedade às corridas, já outras mal ajustadas, como o sistema de gadgets, ou seja antes de cada corrida podemos selecionar um conjunto de gadgets com variados usos para aplicar à nossa personagem e esses efeitos são variados, desde recarga rápida de cada nível de drift ou até mesmo invulnerabilidade completa ao fazer um drift máximo, e isso em teoria é uma boa ideia, o problema é que há uns gadgets tão melhores que outros que praticamente toda a gente que encontramos online os usam porque são quase obrigatórios para se ter hipótese de competir.

Não só o design das pistas é altamente elaborado, estando recheadas de atalhos e trilhos secretos que conseguimos descobrir praticando cada pista muitas vezes, como também o jogo é extremamente divertido de se controlar, algo que melhorou bastante no jogo final em comparação com as betas disponíveis anteriormente, onde o mínimo toque movimentava em excesso a nossa viatura e era fácil de falhar derrapagens simples, mas aqui no jogo final tudo flui na perfeição e o jogo é muito satisfatório de se dominar, em especial no modo contra-relógio onde podemos jogar cada pista em 2 dificuldades distintas(Sonic Speed e Super Sonic Speed, basicamente 150CC e 200CC se compararmos com Mario Kart).

Para terminar no que ao modo singleplayer diz respeito temos ainda o modo Race Park, em que podemos jogar corridas com regras fora do habitual, como por exemplo apenas permitirem items que habitualmente só estão disponíveis aos jogadores no fundo da tabela como forma de regressar à corrida, ou por exemplo uma corrida onde ganha a equipa que não só se classificar melhor como aquela que mais vezes chocou com a própria equipa de modo a conferir um aumento de velocidade temporário. No geral é um modo catita, mas pouco mais, ainda assim sinto que este jogo brilha mais no que ao conteúdo diz respeito em comparação com a sua concorrência direta.

Além disso temos os habituais modos online, onde o sistema de gadgets arruína um pouco a coisa, mas ainda assim é divertido ocasionalmente, e ao longo do tempo que demorei a escrever a análise decorreram alguns festivais temáticos onde os jogadores cooperam para conseguir todas as recompensas de uma dada franquia, como por exemplo Minecraft ou Persona, como é algo que tem decorrido com frequência sinto que este jogo vai ficar bastante vivo pelo menos nos primeiros meses, o que é sempre bom dada a sua natureza, porém ressalvo que estes eventos têm um senão, e isto é a sua natureza temporária e tanto quanto se sabe limitada, pelo que se falham um dificilmente terão outra chance, o que é algo bastante mau nos dias de hoje onde 50 jogos diferentes tentam captar o nosso tempo e atenção.

Em suma, Sonic Racing Crossworlds é um excelente jogo de corridas para toda a família, sendo o expoente máximo da diversão no género atualmente e possuindo uma quantidade robusta de conteúdo que vos manterá ocupados algum tempo embora algo barrado do seu potencial por um sistema manhoso e forçado de gadgets que desequilibram as corridas, pelo que lhe atribuo um 8.5 em 10.

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