Mario Kart, uma das séries mais icónicas e bem sucedidas em toda a história dos videojogos, sendo um autêntico colosso, assim como uma franquia que me diz muito a nível pessoal pois foi graças a Mario Kart 8 que comprei a Wii U, a minha primeira consola da Nintendo, e o resto é história, pois agora vos escrevo sobre uma nova entrada nesta série justamente no lançamento de uma nova consola Nintendo.
Mario Kart World oferece uma vasta gama de diferentes modos para desfrutarmos, desde do clássico Grand Prix e Battle Mode às novidades na forma de um modo Free Roam, que nos permite explorar a fundo os mapas a que cada pista presente no jogo pertence, havendo segredos e missões a encontrar em cada recanto do mapa, assim como o que para mim é sem dúvida a estrela de todo o jogo e onde mais brilha, o modo Knockout Tour que se baseia na eliminação sucessiva de jogadores consoante o seu posicionamento até restar apenas um.

Ao nível técnico, Mario Kart World é o primeiro jogo da Nintendo a almejar para uma resolução acima de 1080p, alcançando uma apresentação de 1440p e 60fps na televisão e 1080p a 60fps no modo portátil, que nunca fraquejam independentemente do cenário, testei a fundo vários cenários e não encontrei um único onde soluçasse, a otimização está imaculada como a Nintendo EPD já nos habituou ao longo de todos estes anos.
Além disso é também o primeiro jogo da Nintendo com HDR e embora a sua implementação deixe a desejar sinto que ajuda a tornar certos cenários ainda mais apelativos a nível visual, embora nem todos beneficiem desta tecnologia, que por vezes deixa a imagem um pouco clara demais independentemente das configurações aplicadas, mas sinto que se jogarem no modo portátil dificilmente terão problemas com a implementação, joguei bastante neste modo e adorei cada segundo, o jogo é mesmo bonito e combina bem com o ecrã vibrante da consola.
A banda sonora é um autêntico mimo para qualquer fã de Mario e os seus jogos, composta por Atsuko Asahi, Maasa Miyoshi, Takuhiro Honda e Yutaro Takakuwa, estamos perante mais de 200 músicas e remixes de vários jogos distintos de Mario, sendo um deleite para qualquer fã ouvir não só as novas músicas como os incríveis tributos ao passado nesta banda sonora.

Ao que a jogabilidade diz respeito, este jogo introduz imensas coisas à fórmula da franquia, sendo a mais notória a mecânica do Salto, não confundir com o antigo salto pequeno que se dava para fazer drift, este trata-se de um salto que carregamos ao manter premido o botão e ao largarmos a personagem ascende uma altura considerável no ar, podendo dar truques para acelerar ao aterrar no chão, e além disso esta mecânica permite ao jogador escalar não só paredes em busca de novas rotas e atalhos, como também cabos de eletricidade e afins, criando uma nova dimensão de possibilidades numa só corrida, tendo o jogador a escolha de como proceder ao deparar-se com uma destas novas rotas com o risco, não obstante de muitas vezes elas serem altamente punitivas se cometermos um erro ao tomar esse caminho. Pessoalmente, apesar de largas horas a dominar o conteúdo mais difícil que o jogo tem para oferecer ainda não consigo utilizar bem esta mecânica, ficando a ressalva que é mesmo uma técnica que requer mestria e prática para levar ao sucesso, mas ainda assim considero uma excelente adição que à medida que forem adicionando novas pistas poderá ter ainda mais chance de brilhar, embora preferisse que tivesse um botão próprio pois neste momento usa o botão ZR, já utilizado para o drift e por vezes a ação que não queria era a efetuada e levou a alguma frustração.
Além disso este jogo tem 2 tipos de pista, dada a sua natureza mais aberta e de mundo interconectado, algumas são as típicas pistas fechadas de 3 voltas, já outras consistem em autoestradas e travessias lineares que culminam numa volta final e única em torno do circuito em concreto, algo que odiei ver ser forçado no modo Grand Prix, no modo Knockout Tour funciona muito bem dado que a corrida flui de uma ponta à outra do mapa mundo ininterruptamente e vamos literalmente de um cenário para o outro em tempo real, mas no modo Grand Prix continuamos a ter pausas entre cada corrida então não só se perde essa vertente como torna as pistas muito menos memoráveis porque a única forma de acedermos a estes trilhos e fazermos mais que uma volta é jogando o modo de Time Attack, sinto que isto poderia ser colmatado com uma opção que deixasse ao jogador escolher se quer ou não esta abordagem ou algo mais clássico com 3 voltas como habitual.

O modo online, obviamente, também está de volta e a minha experiência foi completamente imaculada, dezenas de corridas e não denotei um único segundo de lag ou dessincronização, é mesmo impressionante o quão bem o jogo funciona online, mesmo por Wi-Fi. O modo Knockout Tour online é possivelmente o modo mais divertido que toda a franquia já teve, intenso do inicio ao fim e super satisfatório de se vencer dada a sua duração e dificuldade de manter a posição dado o aumento do número de corredores para 24.
No entanto este aumento do número de corredores é uma faca de dois gumes, tanto online como offline, pois embora adicione um caos divertido e uma dificuldade acrescida dado o número de itens a voar no ecrã, a realidade é que muitas vezes dei por mim perdido na pista porque muitos corredores se amontoaram e mandaram itens em simultâneo e o resultado foi uma confusão visual em que já nem via bem onde estava na pista, sinto que poderiam facilmente adicionar uma opção clássica de 8 jogadores no futuro próximo, certamente terão tempo para isso.
E offline o maior problema é a forma como o CPU faz batota constantemente para nunca termos uma vantagem muito grande em relação aos restantes corredores na pista, encurtando a distância de forma quase impossível, algo que se torna ainda mais frustrante quando temos 24 corredores e um número crescente de itens perigosos como as carapaças a ameaçar a nossa posição numa corrida.
Ainda assim a experiência no geral é tão positiva que nenhum destes problemas descarta o quão incrível o jogo é no seu todo.

Falando agora no modo Free Roam, a outra das grandes novidades desta entrada na série, estou algo dividido, por um lado o mapa é bastante vazio e as recompensas são meros autocolantes e fatos opcionais para cada personagem (nem todas, pobre Lakitu), roçando mesmo a inutilidade para a grande maioria dos jogadores, mas há algumas missões aqui escondidas que não só são difíceis como genuinamente interessantes e divertidas de se dominar, além disso também descobri uma corrida por uma pista que não existe em qualquer outro lugar do jogo e adorei o design da pista e a forma como tenta ensinar a utilizar melhor a mecânica do salto, sinto que este modo tem todo o potencial do mundo, mas a sua execução infelizmente ficou a meio caminho.
Além destes autocolantes já mencionados, dado que o sistema de partes individuais e customização dos veículos foi removido, o jogo desta vez oferece veículos únicos por cada 100 moedas obtidas cumulativamente, algo que apreciei e há algumas escolhas mesmo obscuras e interessantes, mas sinto que poderia haver ainda mais desbloqueios além do limite atual, nem que fosse mais fatos para as personagens, pois no seu estado atual o jogo está incrível, sem dúvida, mas a nível de conteúdo diria que deixa um pouco a desejar, em especial dado o elefante presente na sala…
O jogo neste momento tem o preço de 90 euros, 40 se comprarem o conjunto da consola que o inclui, que é o mais facilmente acessível, mas esse conjunto não é permanente pelo que se torna difícil de recomendar o jogo no futuro devido ao seu preço extremamente elevado, pessoalmente se não fosse esta oferta com a consola não teria pago o preço completo pedido, mas por agora diria que é das melhores formas de começar uma nova geração e se gostarem de Mario Kart o coração e a alma da franquia está cá todo apesar do pouco conteúdo.

Em suma, Mario Kart World é um excelente jogo de lançamento, sendo uma entrada de imensa qualidade na franquia e adiciona imensas novas ideias que revolucionam uma fórmula relativamente simples e já conhecida, no entanto a sua falta de conteúdo e uma decisão estranha de tornar certas pistas limitadas a apenas uma volta deixam-no ligeiramente aquém do que poderia ter sido, pelo que lhe vou atribuir um 8.5/10, mas assim que receber mais conteúdo substancial e atualizações pode facilmente chegar a um 9.
