Gears of War E-Day – Jogabilidade refinada numa origem desnecessária (Análise)

Já levam 7 anos desde que Gears 5 deixou os fãs de Gears of War, eu inclusive, à espera pela sequela que fosse desvendar o rumo da série após o cliffhanger final que a The Coalition nos deixou em 2019.

Pois, numa jogada completamente inesperada, a The Coalition (ou a Xbox) acobardou-se e, em vez de nos trazer a sequela aguardada na forma de um Gears of War 6 (ou seria só Gears 6?), deu um passo atrás e decidiu voltar a Marcus Fenix como protagonista durante os eventos do “E-Day”: o dia em que os Locust atacaram a civilização humana e iniciaram a guerra que se expande durante a série praticamente toda.

O que senti antes de começar o jogo validou-se após rolar os créditos: Eu não estava particularmente interessado no potencial narrativo do E-Day, acho que não era necessário contar essa história. Há zero valor nisso? Não, há sempre alguma curiosidade a ser saciada e podemos voltar a ver o Marcus e o Dom em ação. Mas após terminar a história, senti que pouco foi explorado. Há alguns momentos dedicados às personagens, mas nunca escava para além da superfície; O foco em criar uma experiência coop quase ao estilo Left 4 Dead com as 4 personagens sempre juntas e um formato bastante formulaico fez com que a campanha em si fosse mais uma “desculpa”, e não tanto um novo capítulo que contextualiza as origens da série. Dado isto, não há nada de memorável na história de Gears of War E-Day, por vezes até me perguntava “O que é que estou a fazer agora?” porque parecia que a narrativa estava à procura de razões para adicionar mais 2 ou 3 horas à campanha.

Como os Locust estão a invadir a cidade de Kalona, o grupo de Marcus (composto de Marcus, Dominic, um novo recruta que mais valia ter sido um Carmine, e uma soldada reformada que devia ter sido muito mais interessante do que lhe foi dada a oportunidade) começa a tentar salvar toda a gente que pode, e com uma aproximação mais aberta aos níveis, podemos explorar a cidade de Kalona e outras áreas sem ter de seguir um caminho pré-definido. Não é necessariamente um mundo aberto gigante (ainda bem), mas há recompensa por explorar os escombros: encontram sempre novos modificadores para as armas, soldados e pessoas em apuros, ou até a side quest ocasional. Não há substância narrativa nas side quests em si, todas resumem-se em derrotar ondas de inimigos para salvar um grupo de pessoas ou proteger um equipamento qualquer, são mais gameplay para quem gosta do jogo.

O movimento e combate é possivelmente o melhor da saga, há agora um botão dedicado para saltar, o sprint já não tem aquela animação engraçada em que o protagonista só parece saber correr agachado, e estas opções extra fazem com que o combate seja bem mais mexido. Na verdade sinto que devia ter subido a dificuldade para tirar maior proveito do combate; inimigos mais difíceis fariam com que fosse exigido movimento reactivo e agilidade da nossa parte, mas jogar a solo, com a quantidade de inimigos que há, e com o AI aliado imbecil, torna-se bastante frustrante. Muitas vezes eu caía e estava à espera do AI para me reviver, e lá estavam os colegas de Marcus especados, sem saber bem para onde se mexer.

O level design também não aproveita muito o combate e movimento. Comparado a, por exemplo, The Last of Us Part II, onde as arenas e áreas dinamizavam os encontros e davam imensas opções ao jogador para saltar, proteger-se e atacar, Gears of War E-Day pouco faz além do que encher os níveis de barreiras para o cover system, é o eventual terreno elevado. Esta estrutura básica acaba por tornar os encontros invariáveis, repetindo inimigos e padrões.

O arsenal vai de encontro aos jogos passados da série, trazendo alguma variedade. Eu acabei por usar as mesmas armas durante a maior parte do tempo: a Lancer e o Torque Bow. Há algumas situações em que fazem bem em trocar de armas de acordo com inimigos que enfrentam, mas rapidamente me habituei a este combo. Acho que uma maior variedade de armas seria bom, especialmente no que é a campanha mais comprida da série, nem que seja para refrescar as coisas. No entanto a duração da campanha é talvez um dos maiores pecados do jogo. 15 horas não é muito para um jogo single player, mas quando cheguei ao 4º ato (num total de 5), já não estava a divertir-me.

No que toca a um dos maiores pontos positivos que posso apontar: E-Day é impressionante visualmente. A primeira interação com o jogo foi o quão surpreendente fiquei nos primeiros minutos de gameplay onde estão a correr pela cidade à noite, a iluminação dos fogos a cobrir as ruas e a destruição da cidade cada vez maior. Confesso que o choque inicial é o ponto alto e com as áreas seguintes o deslumbre com os visuais foram-se perdendo, mas tecnicamente é um jogo muito impressionante que corre lindamente no PC.

No final de contas, o que fica comigo de Gears of War E-Day é pouco ou nada. Eu sou fã da série, apesar de achar que podia ter acabado com a trilogia original, Gears 5 foi o jogo que me fez voltar a ter interesse na saga e estava a ir por um caminho interessante, então é triste ter sido deixada ao abandono em prol duma prequela desnecessária. Os fãs com subscrições ao Xbox Game Pass podem experimentar isto facilmente e até diria para o fazerem, sobretudo se tiverem amigos com quem jogar, mas não recomendaria pagar 70€ por o que é apenas “mais Gears of War”. Atribuo um 6 em 10.

Deixamos um agradecimento especial à Xbox por fornecer um código Steam para esta análise.

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