Não há melhor altura para ser fã de Yakuza/Like a Dragon que agora. Não só temos acesso a praticamente todos os jogos da série nas plataformas atuais a preços acessíveis, como estamos a receber um ou dois jogos anuais por parte de um dos estúdios mais coerentes em termos de qualidade nos dias que correm. É verdade que Like a Dragon recicla muito conteúdo entre os jogos, mas eu defenderei que isto é uma qualidade da RGG Studio, que na sua repetição conseguem criar o que parece um mundo vivo que cresce connosco e enchê-lo com conteúdos inigualáveis sem nunca se tornarem repetitivos. Afinal, aonde mais podes tornar-te um campeão de Pocket Circuit e de combates clandestinos no mesmo jogo?
Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name foi lançado a 9 de Novembro de 2023 para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series e PC. Um agradecimento especial à Ecoplay por fornecer uma cópia que facilitou a análise a este jogo.



Like a Dragon Gaiden, depois de 5 anos, traz o regresso de Kiryu Kazuma (custa a acreditar que já passou tanto tempo), cobrindo): a sua história depois do final agridoce do Yakuza 6; a sua nova identidade: Joryu; e por onde é que o nosso ex-Yakuza favorito andou antes e durante os acontecimentos de Yakuza (7): Like a Dragon.
Narrativamente não há muito que justifique a existência desta história. A saga de Kiryu teve um final e já estamos prontos para o “passar da tocha” desde o 7. Gaiden serve sobretudo como um “episódio extra”, e uma forma de manter interesse no Like a Dragon 8 que será lançado em janeiro. Posto isto, há aqui uns momentos (sobretudo no final) emocionais que farão os fãs mais investidos verter umas lágrimas. Também é uma campanha curta – cerca de 10 a 15 horas se só se focarem nas missões principais – que joga a favor do jogo, reduzindo o número de pedaços de enredo filler, uma queixa constante minha em relação à saga.



Kiryu, agora um agente especial para a organização Daidoji, combate com dois estilos diferentes: Agent-style, que é rápido, ágil e dá acesso a engenhocas especiais, como uma teia que permite agarrar inimigos ou armas ao longe, ou um cigarro que explode, excelente para lidar com grupos de inimigos; E o Yakuza-style, o estilo que Kiryu usa na maior parte dos jogos, com os seus ataques já conhecidos (especialmente o implacável Tiger Drop) que se foca mais em dar grandes quantidades de dano. O combate é sólido, como já estamos habituados: esmurrar ondas de inimigos nunca vai deixar de ser divertido e o jogo tem um coliseu que vai testar a vossa proeza no combate com inimigos robustos e desafiantes. Todavia acho que o Lost Judgment mantém a coroa do melhor combate da série pelo seu maior potencial para combos e maior variedade de ataques.
Por falar em coliseu, é uma das maiores atrações de Gaiden. Há vários tipos de combates, e poderão criar uma equipa de lutadores que recrutam ao longo do jogo (incluindo algumas caras conhecidas) para lutarem ao vosso lado na Hell Team Rumble. Passei muito tempo no coliseu, tanto porque era uma boa forma de ganhar dinheiro como era simplesmente divertido lutar. E caso estejam cansados do combate, têm os típicos minijogos da série: Karaoke, bilhares, ou o retorno de Pocket Circuit (é impressionante o quão profundo um simples minijogo consegue ser na sua personalização de carros de corrida de brincar).
E claro, as missões secundárias, ou side stories, que aqui vêm na forma de missões para a Akame Network, são o típico conteúdo extra de Like a Dragon, histórias patetas, melodramáticas e cómicas. A mais memorável envolve trabalharem com um personagem importante de jogos anteriores. Este conteúdo extra não é particularmente interessante, mas é divertido e uma boa desculpa para continuar a jogar depois de acabarem a campanha.
É justo levantar a questão: “O Gaiden faz algo novo ou interessante dentro da série?”, eu diria que a resposta seria um sólido “Não”. Mas presumo que, como eu, a maior parte dos fãs procura este jogo porque é, puro e simplesmente, mais Like a Dragon. Não há nenhuma mudança drástica no gameplay nem, como disse acima, grande impacto no panorama geral do mundo da série. É na sua essência, conteúdo reciclado para aumentar o interesse no próximo jogo, é comida de conforto.

O valor do jogo – está a ser vendido a 49.99€ – depende inteiramente do que estão à procura nele. Eu recomendo inteiramente para os fãs que gostam não só de completar a história dos títulos desta série, como de fazer o seu conteúdo extra. Afinal, há imenso conteúdo, (quase) todo ele divertido. Mas se só estiverem interessados nele pela sua narrativa, diria para esperarem por uma promoção porque é uma história super segura e pouco consequente. No caso de estarem inscritos no Xbox Game Pass, é uma recomendação fácil. Como nota final, atribuo um 7.5 em 10. Apesar de ser mais do mesmo, acabei por gostar mais da experiência do Gaiden que do Ishin!.
Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name no OpenCritic
