Sonic Superstars – Análise

Penso que nunca escrevi sobre Sonic neste site, mas quem me conhece ou segue nas redes sociais sabe que sou fã do ouriço e que já ando há anos a pedir uma sequela ao Sonic Mania, um dos meus jogos favoritos de sempre. A mascote da SEGA, que em tempos áureos rivalizava o Mario da Nintendo, sofre infelizmente de uma crise de coerência no que toca à qualidade dos seus lançamentos e os seus fãs tanto estão no topo do mundo com lançamentos como o Sonic Mania, como meses depois aterram de queixo no chão com um desastre hilariante como o Sonic Forces.

É uma piada de longa data neste momento: a SEGA lança um jogo bom de Sonic (“Sonic está de volta!”), e segue com um jogo mau ou medíocre no máximo (“Sonic está morto.”). Sonic Frontiers saiu no ano passado e apesar de eu ainda não o ter jogado – tenho andado a adiar a compra em prol de outros lançamentos – o meu colega Diogo defende que é um bom jogo. O que levanta logo a questão: “A regra do ‘jogo bom, jogo mau’ aplica-se novamente?” Spoiler alert: Sim, infelizmente sim.

Sonic Superstars conta com o regresso de Naoto Ohshima, o character designer original do personagem, numa colaboração entre a Sonic Team e a Arzest, o estúdio fundado por Ohshima e responsável por… Balan Wonderworld… Bem, era uma boa chance para se redimirem. Pena.

O que é que Superstars adiciona à fórmula 2D de Sonic? Poderes especiais que desbloqueiam com cada Esmeralda que apanham! Como é típico na série, há níveis bónus escondidos em cada fase do jogo que vos permite apanhar uma esmeralda; ao apanharem todas as sete, têm acesso ao Super Sonic e ao true ending do jogo. Neste caso, cada esmeralda tem um poder especial associado para usarem nos níveis, como duplicar o protagonista, transformarem-se em água, ou ver objetos e plataformas escondidas. Confesso, não lhes dei muito uso: metade deles são extremamente situacionais, e nas lutas contras os bosses só um ou dois é que me foram realmente úteis.

Os níveis em geral até são divertidos. Como seria de esperar, há muitos caminhos que podem tomar conforme a vossa habilidade e reflexos. Há até caminhos que pedem que conheçam o nível de antemão, pela dificuldade de alcançar certas plataformas enquanto estão a correr a alta velocidade. Faz parte da essência de Sonic: dominar os níveis e alcançar o tempo mais rápido possível com a pontuação mais alta. É giro ver os detalhes no fundo dos níveis, como encontrarem o Knuckles a trepar uma parede ou a Amy a martelar uns inimigos. Visualmente, embora nada impressionante – e inferior ao estilo tradicional pixelizado de Sonic Mania Superstars é giro, fácil de ler, e tem um ou dois níveis que se destacam pela arte e mecânicas de jogo – Pinball Carnival e Cyber Station foram as minhas favoritas e as que realmente me fizeram dizer “Isto é Sonic“. Contudo, os níveis finais começam a perder um pouco dessa diversão e tornam-se mais frustrantes, com formas mais fáceis (e forçadas) de morrer, sejam estas buracos, armadilhas ou bugs.

Mas, frustrantes ou não, não são os níveis em si que são o problema, mas sim o que vos aguarda no fim de cada um: os bosses. Desilude-me estar a escrever isto, porque estava a gostar dos bosses iniciais e do seu design. Num deles, tinham de esperar que o boss voador lançasse uma espécie de guincho contra o personagem e desviarem-se na altura certa para o guincho ficar preso, podendo então trepá-lo para atacar. Outro boss tinha uma ferramenta semelhante, mas precisavam de o fintar de forma a ele usar a arma contra si próprio. Com o passar dos níveis, os bosses vão ficando menos interessantes e mais frustrantes. O boss da fase final é o maior culpado disto: um boss aborrecido e ofensivamente longo para um jogo de Sonic 2D, um boss com duas fases onde qualquer pequeno erro vos vai custar toda a luta e têm de repetir o combate do início, um boss com elementos aleatórios, um boss com aberturas para atacar tão pequenas e tão demoradas entre elas que à quarta ou quinta tentativa comecei a perguntar-me se realmente queria acabar o jogo… e eu sou daquelas pessoas que passou horas a lotar contra o Godfrey no Elden Ring!

Em suma, Sonic Superstars começa bem, mas quanto mais tempo investem no jogo, mais frustrante se torna. A qualidade dos níveis cai a pique, os bosses são nódoas demasiado grandes para se ignorar e o jogo está repleto de bugs. Mas sendo um pequeno jogo ao preço acessível de… 59.99€?!

É impossível para mim recomendar este jogo ao preço atual de consciência limpa. Recomendo-vos voltarem ao Sonic Mania (custa 20€ na Steam) e deixarem este título cair no esquecimento. Atribuo-lhe uma nota de 5 em 10, salvo pelas níveis que me divertiram. Com um desconto considerável, talvez o recomende aos super-fãs de Sonic.

Sonic Superstars no OpenCritic

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