Análises Multiplataformas

Outsider: After Life – Análise

A demonstrar o talento português, Outsider conta com uma aventura única.

Outsider: After Life (ou Outsider: Depois da Vida, em português) é uma aventura sci-fi de terror existencial point n’ click num mundo pós-apocalíptico desenvolvido pelo estúdio português Once a Bird. Outsider está atualmente disponível para Android, iOS e PC (Steam).

Agradecemos gentilmente à Once a Bird por nos disponibilizar um código Steam para esta análise.

Em Outsider controlamos HUD-ini. Um pequeno androide isolado no planeta Terra após a extinção da raça humana. Mas antes do HUD-ini poder explorar o universo e estudar o mistério à sua volta, teremos de o reprogramar, através duma série de puzzles.

É assim que Outsider funciona do início ao fim, com conjuntos de puzzles, todos interessantes e únicos entre si, e que, embora diferentes, conseguem manter-se intuitivos, curtos e simples. Tenho de louvar o trabalho da Once a Bird em criar uma grande variedade de desafios nesta aventura de 2/3 horas e não aumentar a duração do jogo artificialmente, com a repetição de puzzles ou cenários. A maior parte dos puzzles foram divertidos e fáceis de desvendar ou aprender. Para os jogadores que estejam à espera de quebra-cabeças que vos puxem pelo miolo por horas, este jogo não é o que procuram. Mas quem espera algo mais calmo e envolvente para jogar numa tarde, conseguirá ficar satisfeito.

Visualmente, Outsider mantém um estilo artístico simples, coerente e que, em conjunto com o sound design, ajuda a definir a atmosfera silenciosa e misteriosa do universo ermo criado pela Once a Bird. Seja pelos interiores dos edifícios deteriorados com apenas alguns resquícios da presença humana, aos exteriores inundados por areia, que lentamente engole o que resta de construções artificiais, tudo isto feito numa sequência animada fluída e sem cortes. O trabalho de Tiago Lourenço como artista emana um charme próprio que, embora não embrulhe o mesmo deslumbramento de algo mais trabalhado, não deixa de ser visualmente agradável, principalmente para o trabalho dum estúdio tão pequeno.

Tive mais reservas quando à banda sonora. Quando ouvida individualmente, não consigo negar que é muito forte, consigo perceber o intuito do compositor talentoso Jo Pereira, ao fazer algo que traduzisse a fascinação da aventura para o jogador. Contudo sinto que essa banda sonora mais forte foi o meu problema quando conjugada a Outsider, talvez por teima minha apenas, acredito que algo mais subtil e ténue tinha encaixado a narrativa misteriosa de terror que o jogo apresenta.

Concluindo, Outsider: Depois da Vida é uma aventura que conta com puzzles divertidos e únicos, e uma atmosfera misteriosa graças ao trabalho na direção de arte, sound design e argumento, ao qual dou os parabéns à Once a Bird. Por 8€, podem ter aqui um par de horas bem passado, e podem apoiar o desenvolvimento de jogos em Portugal. Como um jogo, atribuo uma nota de 6 em 10 a Outsider, não o achei particularmente memorável, mas não deixa de ser um jogo satisfatório, estarei atento a futuros projetos do estúdio, e desejo sucesso ao jogo.


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