Análises Exclusivos Microsoft

Análise: Tell Me Why

Tell Me Why é o jogo de aventura mais recente da Dontnod Entertainment, disponível para Windows e Xbox One.

Agradecemos à Microsoft por nos ter cedido a cópia para análise.

Como habitual com as aventuras da Dontnod, é um jogo episódico, se bem que não pela razão do costume: os episódios ficaram essencialmente prontos ao mesmo tempo, mas foram lançados ao longo de três semanas para incentivar quem joga a “deixar as coisas assentar”. Pela altura em que esta análise for lançada, já os três episódios estarão disponíveis. Aconselho, porém, a que não cedam ao binge: vale a pena parar e pensar naquilo que vimos e isso vai criar uma experiência mais rica. A atenção ao detalhe sem dúvida que compensa neste jogo. Dito isto, passemos então à análise propriamente dita:

Fãs de Life Is Strange saberão desde já mais ou menos com o que contar: um jogo bastante americano (apesar dos devs franceses), focado na narrativa, leve em puzzles e no qual as nossas escolhas moldam o caminho que a história segue.

Desta vez, seguimos os irmãos gémeos Alyson e Tyler Ronan, que se reencontram para venderem a casa da mãe depois de terem sido separados durante a infância. Alyson ficou por Delos Crossing, a vila no Alasca onde os Ronan nasceram e na qual o jogo tem lugar, ao passo que Tyler cresceu numa instituição para adolescentes.

Reunidos no Alasca, os irmãos rapidamente se deparam com memórias do passado, memórias essas que são um ponto central tanto da narrativa como do gameplay. Tal como os seus predecessores, Tell Me Why  tem um elemento sobrenatural: uma ligação entre os gémeos que lhes permite não só comunicarem telepaticamente, mas também reverem memórias quando se aproximam dos sítios onde tiveram lugar. É importante mencionar, porém, que os detalhes nem sempre batem certo: por vezes Alyson e Tyler lembram-se das coisas de forma ligeiramente diferente, cabendo então a quem está a jogar determinar qual das duas memórias os irmãos vão tomar como correcta. Estas decisões afectam tanto a relação entre as personagens tal como o que assumem que realmente aconteceu no passado.

A maior diferença entre este jogo de aventura e os anteriores da Dontnod é possivelmente a sua escala. Os enredos dos dois Life is Strange tinham o seu quê de grandioso; Tell Me Why é mais pessoal, mais slice of life. Não é que a aventura dos Ronan seja banal, longe disso, mas tem os pés bem mais assentes na terra. O que interessa mais aqui são as relações entre as pessoas, os laços de família e amizade, as pequenas traições que frequentemente cometemos… enfim, aquilo que é familiar na vida da grande maioria das pessoas. Esta “normalidade” poderá sem dúvida afastar algumas pessoas, mas achei-a refrescante! Se há aqui um tema principal, diria que é a empatia, e parece-me bastar.

A Dontnod desta vez parece ter feito algum esforço para colocar uns puzzles adicionais no jogo, mas não são propriamente difíceis e alguns até são opcionais. A solução, normalmente, atinge-se facilmente através de observação e um bocadinho de raciocínio. Nada de moon logic aqui, portanto. Pessoalmente, como fã dos velhos jogos point-and-click dos anos 90, gostaria que esta componente do jogo fosse mais desenvolvida, mas ela é longe de ser o foco aqui. É, portanto, injusto apontar isto como um defeito.

Falando em defeitos, está na hora de falar deles. O maior problema com o jogo foi sem dúvida o pop-in do level of detail, normalmente quando fazia algo como tentar ler um poster. Não foi coisa em que tenha reparado muito durante o primeiro episódio, mas sem dúvida que me prejudicou a experiência nos outros dois. Para além disso, deparei-me com um bug no som em todos os episódios: existem pequenas esculturas coleccionáveis que podem ser recolhidas e que têm uma descrição áudio no menu de pausa. Em certos locais do jogo, ao tentarmos ouvi-las, o som teima em não aparecer. O bizarro é que em pelo menos um caso, o local era exactamente o mesmo em que se apanhava o coleccionável, o que me leva a questionar como passou pela fase de testes.

Tive também um problema temporário com o aspecto visual do jogo, que está um pouco mais realista do que o dos Life is Strange. Isto traz as suas vantagens, nomeadamente nas animações faciais, mas admito que ao princípio me enviou numa pequena viagem até ao uncanny valley. Nada que não se resolva, porém: o excelente trabalho dos voice actors rapidamente me fez sair desse estado. Não só isso, como pela primeira vez não me tive de abstrair do lip-syncing, que em Life is Strange deixava muito a desejar!

Em suma, Tell Me Why é um óptimo jogo para quem aprecia narrativas terra-a-terra com uma pitada de misticismo, por assim dizer. Está disponível para compra (os três episódios) por 29.99€. Alternativamente, também está incluído no serviço de subscrição Xbox Game Pass. Dou-lhe uma pontuação de 8 em 10.

Tell Me Why no OpenCritic


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: