Lançado em 2017, Nioh marcou uma nova era para a Team Ninja que após o fracasso de Ninja Gaiden 3 procurou explorar uma nova fórmula mais semelhante aos jogos Souls, algo que lhes correu muito bem, porque tanto este como a sua sequela foram estrondosos sucessos críticos e comerciais.
A narrativa do jogo começa no ano 1622, com o protagonista, Takechiyo, em vésperas de se tornar o novo Xogum passa uma tarde a treinar com o seu mestre e o seu irmão mais novo, Kunimatsu, até que são repentinamente atacados por um exército de Yokai e após uns breves confrontos, Takechiyo descobre que é o seu irmão quem está a controlá-los, possuído por uma força desconhecida que se alimenta do seu ódio e ressentimento.

Após um choque dos 2 irmãos, Takechiyo é ajudado por um espírito guardião, Kusanagi, que o transporta no tempo para uma era longínqua e assim começa a narrativa do jogo, com Takechiyo a visitar diversas eras da história japonesa de forma a encontrar as respostas para o que realmente aconteceu com Kunimatsu.
A premissa da narrativa consegue ser interessante, mas acaba por não ser nada mais que um condutor para os níveis e locais do jogo, e é um elemento relegado para segundo plano.
Ao nível dos visuais, diria que o jogo os apresenta com um resultado algo misto, pois apesar de alguns locais bonitos e uma direção artística excelente, o jogo acaba por ser demasiado parecido com os jogos anteriores do estúdio ao nível visual, acabando por em partes me dar uma grande sensação de déjà-vu.

Relativamente à performance o jogo apresenta 2 modos distintos, um que favorece a resolução e outro a estabilidade, mas francamente ambos apontam aos 60fps e ambos falham esse alvo, o modo mais estável aguenta-se bem na região inicial, mas nas regiões mais tardias a performance é bastante medíocre, havendo zonas onde por vezes cai abaixo dos 30fps.
A banda sonora, composta por Yugo Kanno e Akihiro Manabe é excelente, conferindo um misticismo a este mundo e uma adrenalina acrescida aos diversos confrontos, podendo ser ouvida aqui.

A jogabilidade é onde este jogo verdadeiramente brilha, a Team Ninja voltou a entregar-nos um sistema de combate de excelência, a mecânica chave desta vez é a troca entre 2 modos de combate, o de Samurai, que se assemelha ao estilo de combate dos primeiros dois jogos, e Ninja, que se assemelha a um hibrido entre Ninja Gaiden e jogos como Wo Long e Rise of the Ronin, dois jogos que analisei no passado e apesar dos seus problemas apresentavam um combate frenético e divertido, podendo o jogador trocar entre ambos os modos à vontade e sem grandes restrições, pessoalmente passei a grande maioria do jogo em Ninja, dada a sua mobilidade acrescida, mas facilmente podem passar o jogo sem sair do modo Samurai e ter o mesmo nível de sucesso ou ainda maior. Ainda assim o jogo apresenta uma mecânica adicional onde certos ataques dos bosses podem ser interrompidos se trocarmos de modo no momento certo, algo que é bastante satisfatório, assemelhando-se ao Mikiri Counter de Sekiro, ou os ataques críticos de Wo Long.
Ao nosso dispor temos também vários espíritos que nos acompanham na nossa jornada, podendo ser usados em combate através de ataques especiais que conferem ao jogador uma forma extra de pressionar os bosses sem gastar stamina, associados a estes espíritos há também uma transformação designada de Living Artifact em que Takechiyo ao preencher uma barra adicional perto da sua saúde se funde com o espírito selecionado e durante a duração é completamente invulnerável e os ataques não gastam stamina, sendo uma ferramenta extraordinária para se lidar com os vários bosses, em especial na reta final em que se tornam mais imperdoáveis.

Por falar em bosses, neste jogo são bastante distintos e divertidos de se enfrentar, embora sinta que podiam ser um pouco mais desafiantes, porque tirando uns dois ou três confrontos na reta final o jogo é estranhamente fácil como um todo, muito por culpa do jogador ter tantas ferramentas poderosas ao seu dispor, especialmente o Soul Core System onde os inimigos ao ser derrotados deixam uma parte de si para trás, que quando equipada nos permite invocar esse inimigo para atacar, um pouco como Pokémon mas com Yokai sanguinários, algo que gostei bastante, havendo algumas combinações devastadoras que trivializam os embates.
Ainda assim a minha parte favorita deste jogo é sem dúvida a exploração, algo que detestei em Rise of the Ronin, que possuía um mundo demasiado vasto e vazio para o seu próprio bem, é aqui possivelmente o elemento mais forte do jogo a par do seu combate, cada mapa apresenta-nos diversos distritos, cada um recheado de colecionáveis e segredos e isto é extremamente viciante de se explorar cada recanto, pois não só os colecionáveis fortalecem as estatísticas de Takechiyo, como também podemos encontrar habilidades de travessia novas para alcançar locais novos, assemelhando-se com um Metroidvania, algo que apreciei bastante pois deu-me razões para voltar a cada região constantemente para encontrar o que antes era inacessível.

No entanto nem tudo são rosas neste jogo, não só sinto que tem alguns problemas de ritmo narrativo e progressão, com uma reta final algo concluída às três pancadas, como deparei-me com imensos bugs e crashes no decorrer do jogo, desde não conseguir premir nenhum botão sem reiniciar o jogo, a colecionáveis que não apareciam por nada, como também ocasiões onde o jogo crashou por 5 ou 6 vezes em rápida sequência, sinto que o jogo podia ter beneficiado de um pouco mais de tempo para ser limadas estas arestas.
Também não fui o maior fã do sistema de equipamento, sim é já um padrão quase obrigatório na franquia e outros jogos da Team Ninja, isso é certo, mas a sua implementação continua algo enfadonha e rapidamente perdi o interesse de maximizar as minhas estatísticas e simplesmente usei a opção de auto-equip, pois tinha tipo 500 armaduras parecidas e não ia perder horas a olhar para uma mínima diferença percentual.
Em suma, Nioh 3 é um Soulslike bastante bom, e um passo em frente em relação aos seus antecessores e restantes jogos da Team Ninja, porém algo afetado por um fraco ritmo narrativo, diversos problemas técnicos e um sistema de equipamento francamente arcaico, pelo que lhe atribuo um 7/10.
Agradecimento especial à Ecoplay por ceder uma cópia do Nioh 3 para análise.
