Lançado em 2022, Elden Ring tornou-se num fenómeno critico e comercial que catapultou ainda mais a reputação da From Software e os cimentou entre os melhores de toda a indústria, recebendo um DLC em 2024 também ele muito bem recebido. Com isto em mente, chega-nos agora uma nova proposta, mais virada para o multijogador, enquadrada neste universo de Elden Ring, onde até 3 jogadores podem aventurar-se num jogo que bebe imenso do género roguelike como a sua maior inspiração.
Narrativamente, este é, o Souls mais vago até hoje, provavelmente devido à sua natureza mais focada no multijogador online, sendo portanto muito difícil de resumir numa sinopse dedicada, mas abreviadamente o mundo do jogo, Limveld encontra-se submerso numa noite eterna que só pode ser quebrada ao derrotar os vários bosses que se encontram nesta região.

No geral é uma narrativa muito pouco trabalhada e algo insípida de ideias, mas dado o foco entende-se mais como um guia para a jogabilidade, fica, no entanto, o aviso que Nightreign não é, de todo tão rico em lore como os seus antecessores, e se esperam algo muito profundo ou capaz de resultar em videos de horas a fio no Youtube com milhentas teorias, poderão ficar desiludidos.
Visualmente, este jogo é basicamente impercetível em termos de diferenças quando comparado com Elden Ring, e tendo jogado a versão PS4 deste e a versão PS5 do antecessor o que posso dizer é que pelo menos a versão PS4 corre na perfeição e não é a salganhada técnica que Elden Ring era na PS5, mantendo os 60fps constantemente e apenas tendo vegetação ligeiramente menos detalhada, pelo que se tiverem interesse em jogar este jogo na PS5 e em terem uma experiência estável, sem quebras de fluidez, recomendo fazerem-no através da versão PS4, pois a versão PS5 mantém todos os problemas que o anterior jogo tinha e ainda mais, dada a sua vertente multijogador mais caótica.

A banda sonora é composta por Shoi Miyazawa, Tai Tomisawa, Soma Tanizaki, Yoshikazu Takayama e Yuka Kitamura, muitos deles transitando de Elden Ring e o trabalho aqui é fenomenal, em especial o tema dos diferentes bosses, em especial Darkdrift Knight e Night Aspect, que são acompanhados dos coros bombásticos que estes jogos nos habituaram e acrescentam imensa adrenalina a cada combate épico com os vossos parceiros ou amigos.
A estrutura deste título consiste na exploração de um único mapa, Limveld, dividida em 3 dias, 2 deles em que exploramos as diferentes zonas e derrotamos os vários inimigos para fortalecer a nossa personagem e adquirir melhor equipamento, e por fim, um dia derradeiro onde o nosso único objetivo é chacinar o boss que escolhemos.
Sim, neste jogo o boss que enfrentamos no final de cada tentativa é escolhido por nós, além disso podemos também escolher neste menu inicial se pretendemos uma expedição a solo ou em grupo, sendo esta a grande diferença para com os restantes jogos da From Software, uma vertente multijogador muito mais saliente e trabalhada onde o trabalho de equipa é essencial ao sucesso, porém ainda com uma opção para quem prefere jogar sozinho, embora esta necessite de uma curva de aprendizagem acentuada até uma pessoa começar a dominar os diferentes sistemas, infelizmente à data do lançamento e desta análise não é possível jogar apenas num grupo de 2 pessoas, sendo necessário uma 3ª para começar sequer uma expedição multijogador.

Além do foco na cooperação, este jogo é também bastante inspirado pelo género roguelike, sendo cada expedição pautada por imensas melhorias de equipamento e passivas que são a diferença entre uma tentativa bem-sucedida ou o regresso ao início. No fim de cada expedição é nos dada uma porção da moeda utilizada neste jogo para comprar objetos permanentes, assim como relíquias que aumentam os atributos das nossas personagens, sendo cada relíquia determinada de forma totalmente aleatória e variando vastamente o seu uso consoante a personagem que a usa, por exemplo uma classe pode beneficiar de um uso extra das suas habilidades, já outra pode fazer maior dano de fogo ou de veneno, sendo um sistema altamente versátil mas também algo frustrante pois é altamente volátil e dependente da vossa sorte naquele momento.
Falando em classes, existem 8 classes no total por onde escolher, todas elas muito únicas e peculiares na abordagem que temos de tomar para suceder nas nossas expedições, 6 delas disponíveis de início e outras 2 que temos de desbloquear à medida que progredimos na aventura. Cada personagem possui uma habilidade secundária e um Ultimate, algo que no início me fez torcer o nariz porque me parecia que não harmonizava nada com o estilo de jogo mas na realidade foi das melhores adições que fizeram, ficando agora até com uma pequena vontade que adicionem algo do género nos seus futuros jogos, estas habilidades variam desde de um gancho que nos permite ganhar velocidade horizontal para atravessar o mapa ou até mesmo a habilidade de brandir uma espada amaldiçoada que torna o combate num Sekiro onde os parries são reis e trivializam as lutas todas.

Um dos elementos chave da exploração de Limveld é também a tempestade que circunda o mapa, que tal como num Battle Royale, tipo o Fortnite encolhe a nossa área disponível de travessia em intervalos fixos de tempo, tornando não só este num jogo de sobrevivência aos inimigos como nos obriga a dominar os vários sistemas e a procurar as melhores áreas para melhorar a nossa personagem no mais curto espaço de tempo e aproveitar o tempo restante para adquirir mais curas ou enfrentar um boss que anda a passear no mapa e possui imensas runas para nós evoluirmos e termos uma maior chance ao enfrentar o desafio final de cada noite, onde somos postos frente a frente com um determinado boss já conhecido, sendo a maioria proveniente de Elden Ring mas também havendo velhos conhecidos da trilogia Dark Souls.
Onde a jogabilidade brilha, porém, é mesmo nos confrontos com estes mesmos bosses finais de cada expedição , como mencionei no meu último artigo sobre Elden Ring, eu não fui o maior fã de todo na mudança de abordagem da From Software para bosses que valorizam mais o lado bombástico e espetacular que o prático, tendo muitas lutas se tornado francamente injustas dada a pouca mobilidade e opções ao dispor da nossa personagem, felizmente posso dizer que todos esses problemas foram largamente corrigidos com este novo jogo, muito porque além da nossa personagem ter muito mais versatilidade ao dispor é também possível ressuscitar a meio da luta quando jogamos a solo ou quando um aliado nos ajuda, aliviando um pouco essa pressão de jogar de forma absolutamente perfeita onde só um erro nos leva à morte, os bosses têm também ataques muito mais visualmente percetíveis e mais fáceis de se lidar sem ser atingido por uma rajada gigantesca ao mínimo erro.

No entanto esta experiência não é perfeita, e atualmente, antes do lançamento do seu DLC já anunciado, está num estado bom mas algo rudimentar pois embora tenhamos 8 expedições por onde escolher, todas elas decorrem no mesmo mapa, e embora haja várias variações do mesmo mapa para colmatar isso ao fim de umas 10-20h o jogador já viu todas elas umas 2 vezes cada, tornando-se bastante enfadonho repetir expedições à medida que mais jogamos, porque efetivamente nos primeiros 2 dias estamos a fazer literalmente a mesma rotina sem grandes mudanças relevantes e a única coisa que acaba por importar em expedições que duram entre 35 e 45 minutos acaba por ser o boss final escolhido, algo acentuado ainda mais pela falta de melhorias permanentes relevantes, pois estas derivam todas das já mencionadas relíquias aleatórias, diminuindo a rejogabilidade em comparação com outros jogos do género pois não dá para aumentar as chances de obter uma dada build que tenhamos em mente.
Em suma, Elden Ring Nightreign surpreendeu-me, à data do seu anúncio não dava nada por ele, mas agora ao fim de umas 30h bem passadas percebo que está aqui um diamante que embora bruto proporciona muitas horas de diversão caso sejam loucos por Roguelikes e jogos da FromSoftware, pelo que lhe atribuo um 7.5/10.
