Análises

Análise: “The Little Acre”

“The Little Acre” foi lançado e publicado pela Curve Digital no dia 13 de Dezembro de 2016 com o preço de 12,99 euros, e, é o primeiro jogo do estúdio Pewter Games (composto por apenas dois membros). Esta análise tem por base apenas a versão na plataforma Playtation 4 (o jogo também se encontra disponível na Xbox One e PC).



“The Little Acre”
é um “point-and-click adventure” que segue de perto a jornada de Aidan e da sua filha Lily para descobrir o destino de Arthur (pai e avô, respectivamente). A sua história começa numa remota aldeia da Irlanda rupestre dos anos 50 com o acordar em The Little Acre, a casa que Aidan e Lily partilham com o seu cão, Dougal. No papel de Aidan tentamos desvendar os passos do seu pai a partir de vários puzzles – o cerne da jogabilidade neste género – que acabam por impulsionar a sua personagem para o misterioso mundo de Clonfira. Estes puzzles são simples e bem construídos, por vezes, necessitando de alguma imaginação por parte do jogador. No caso de sentirem frustrados ou na necessidade de alguma dica, o jogo ainda conta com a presença de notas para guiar os jogadores.

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Welcome to The Little Acre

A estrutura narrativa num jogo deste género é indissociável da sua jogabilidade. As personagens exprimem-se pelas interacções com o ambiente em cada sequência, Lily extrovertida, atrevida e curiosa persegue um amor insaciável pela aventura, em oposição ao seu pai, mais cauteloso e receoso dos perigos do desconhecido, mas que não perde em coragem para a sua filha. O enredo é recheado e rápido o suficiente para criar um investimento na sua história, contudo, também acaba por ser uma falha na narrativa, pois, apesar de sabermos as motivações destas personagens e quem são, pouco desenvolvimento sofrem no percurso da sua breve jornada pelo mundo de Clonfira. “The Little Acre” acaba por ser uma bela aventura que perde um pouco em conteúdo emocional e substância, mas que é capaz de entregar um final satisfatório apesar dos vazios na sua narrativa.

Para acompanhar esta aventura temos uma composição musical sólida que é capaz de entregar os sentimentos certos em cada área da história. Desde a sua melodia melancólica que também provoca a ideia de aventura e juventude em The Little Acre como atribuir a tensão e abandono necessários nos locais ermos de Clonfira, a banda sonora revela-se capaz. Relativamente às vozes das personagens, pouco tenho a dizer, fazem o que precisam sem serem propriamente inesquecíveis – possivelmente derivado dos problemas narrativos que mencionei anteriormente.

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Clonfira!

Por fim, chegamos ao elemento mais forte deste jogo, a sua direcção de arte. É, juntamente com a sua alegre e despreocupada história, que acabam por vender este jogo. A aventura é separada em dois mundos, o nosso, e o de Clonfira, enquanto o primeiro tem uma escolha de cores mais segura, seguindo uma técnica mais rígida no desenho dos objectos e seres que ocupam a aldeia remota na Irlanda dos anos 50; o segundo, quebra essa harmonia para emergir um mundo de fantasia, repleto de fauna e flora bizarra e vibrante, com escolhas mais arriscadas a nível de cores. O mundo de Clonfira revela-se abandonado e vivo, a natureza rompe por edifícios perdidos no tempo, as estruturas antigas estão em conflito com o fausto arbóreo e floreal que as rodeia. As próprias personagens sofrem uma alteração estética na entrada para este mundo. A animação também acrescenta valor a esta experiência, pois as suas interacções das personagens com o mundo têm fluidez e suavidade.


Ultimamente, “The Little Acre” é um “point and click adventure” que, mesmo sendo incapaz de revolucionar o género (apesar de se destacar pela sua arte), funciona como entrada que apresenta alguns dos pontos positivos do seu género. Considerando, tudo o que aqui expôs (e alguns elementos menos detalhados para evitar spoilers nocivos) acabo por da uma nota final de 7 em 10 a esta experiência. Se gostam de “point and click adventure” recomendo comprarem este jogo, que pode ser encontrado frequentemente em desconto.

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