20 anos após o último jogo principal da franquia, chega-nos agora um novo Onimusha, que procura aproveitar-se do relativo sucesso que as remasterizações dos 2 primeiros jogos tiveram para trazer os fãs de volta, como também introduzir uma nova remessa de jogadores a esta série.
A história acompanha Miyamoto Musashi, um espadachim obcecado por lutar incessantemente e ser considerado o melhor que há, até que um dia é emboscado por misteriosas criaturas que o deixam às portas da morte até que recebe uma misteriosa manopla que o regenera e lhe permite derrotá-las. Tendo agora como missão arranjar forma de se livrar da mesma custe o que custar, pois para ele poder emprestado é o equivalente a fraqueza.

No geral a narrativa é boa, em especial Musashi, que é das melhores personagens da Capcom em algum tempo, começando como um simples samurai errante que procura um bom desafio mas rapidamente se transforma numa pessoa que procura fazer o bem embora de formas não muito convencionais e sem nunca perder o “cool factor”.
Visualmente o jogo é um misto, por um lado é bastante bom, nomeadamente nas cinemáticas onde as personagens têm um detalhe incrivel e animações ao nivel das melhores produções da indústria, porém durante a jogabilidade os visuais deixam algo a desejar, nomeadamente ao que à iluminação diz respeito, tendo um aspeto algo “deslavado”, mas felizmente corre muito bem na PS5 base, podendo alcançar framerates muito acima de 60fps se a televisão que possuírem o suportar.
A minha zona favorita do jogo é sem dúvida o monte Oe onde a ação se passa ao pôr do sol e é sem dúvida o sitio em que o HDR brilha, havendo zonas onde a paisagem é mesmo estonteante.

A banda sonora do jogo, composta por Marika e Kota Suzuki, Nozomi Ohmoto e Tomoki Kameyama é também muito boa, especialmente na reta final do jogo onde a intensidade dos confrontos aumenta e a seriedade dos eventos narrativos atinge o climax.
Como qualquer jogo de ação que se preze onde todo o pacote brilha mesmo é no seu sistema de combate, possuindo um combate altamente satisfatório, cheio de técnicas ofensivas e defensivas, como os tradicionais Issen que marcam esta franquia desde o seu começo tornando os confrontos com os bosses um deleite audiovisual satisfatório… Porém, no que toca aos inimigos básicos e mesmo muitos dos bosses da reta inicial, a sua inteligência artificial é tão má e passiva que as lutas se tornam extremamente fáceis e aborrecidas, raramente atacando e sendo autêntica carne para canhão, se não tivesse sido os últimos 5-6 bosses a aumentar de ritmo eu teria gostado muito menos do jogo, pois mesmo na dificuldade mais alta que desbloqueamos ao passar o jogo os bosses iniciais são uma autêntica piada, com uma passividade gritante.

Além disso, o jogo apresenta uma estrutura semi-aberta, em que exploramos vários hubs e concluímos missões secundárias e apanhamos colecionáveis, e inicialmente até gostei desta mudança de ritmo, porém sinto que torna o jogo mais longo do que devia e nas últimas horas o ritmo arrasta-se consideravelmente porque desbloqueamos dezenas de atividades secundárias no mapa, sinto que esta vertente deveria ter sido reduzida a favor de um ritmo mais orgânico e agradável de progressão.
À medida que colecionamos almas com a nossa manopla podemos amealhar materiais que encontramos espalhados pelo mundo, que quando acoplados às almas nos permitem obter diversas melhorias, desde poder de ataque à capacidade de obter mais almas por inimigo, um sistema já tradicional em tudo o que é jogo, embora aqui estas melhorias não transitem para o New Game+, fazendo com que ache que não são tão essenciais de maximizar como noutros jogos.

Ao nível do Dualsense, o jogo utiliza muito bem o comando da Sony, especialmente nas cinemáticas e nos bosses onde o Haptic Feedback adiciona um impacto extraordinário a várias das nossas ações.
Em suma, Onimusha Way of the Sword é mais um excelente jogo da Capcom, com o potencial de ser um dos melhores do ano, a adição de opções de dificuldade mais desafiantes poderiam fazer o combate realmente brilhar e ser mais divertido. E uma reta final umas horas mais curtas ajudariam o ritmo final da campanha. Ainda assim sinto que os fãs vão adorar, pelo que lhe atribuo um 8/10.
