Análise – Silent Hill 2 (2024)

Considerado por muitos um dos melhores jogos de terror alguma vez feitos, Silent Hill 2, regressa agora com um remake desenvolvido pela Bloober Team, responsável por títulos como The Medium, Layers of Fear e Observer.

Este jogo segue a história de James Sunderland, um viúvo que recebe uma misteriosa carta supostamente escrita pela sua falecida esposa, Mary, levando-o até Silent Hill onde ela o espera no seu “sítio especial”.
Na sua demanda para desvendar o significado da carta e o paradeiro deste local, James depara-se no meio de uma cidade que o atormenta de mil e uma formas, seja com monstros ou imensos puzzles por desvendar que o fazem duvidar da sua sanidade, mas James não está sozinho, e durante o decorrer do jogo conhece outras personagens que partilham o seu infortúnio.

No geral a narrativa envelheceu muito bem passados mais de 20 anos, e a ela foram adicionados novos elementos que funcionam bem e acrescentam uma nova perspetiva nos eventos decorridos. Embora sinta que estas adições fossem prescindiveis, acabei por abraçá-las.

Visualmente o jogo é simplesmente assombroso ao que a atmosfera e texturas diz respeito, tornando cada cenário muito imersivo e intenso de se explorar, especialmente quando a iluminação é reduzida ou quase nula, Embora a falta de iluminação me tenha causado problemas, mesmo com as definições de brilho predefinidas, em identificar os próprios arredores do jogo. O escuro, apesar de ser um jogo de terror por vezes é exagerado ao ponto de afetar a claridade da jogabilidade não intencionalmente.

O jogo oferece as duas opções visuais habituais, Qualidade(4K a 30fps) e Performance(1080p a 60fps) e no geral ambas têm problemas, seja soluços ou quedas de fluidez consideráveis, não há um modo que seja verdadeiramente indiscutível em termos de estabilidade. Mas no geral diria que o modo Performance é o melhor de ambos, pois apesar de instável torna o combate muito mais responsivo.

A banda sonora é mais uma vez composta por Akira Yamaoka e como seria de esperar é simplesmente fenomenal e adequa-se na perfeição a cada momento do jogo.

A nível da jogabilidade, tal como os remakes de Resident Evil a câmara foi alterada de uma perspetiva fixa para uma típica câmara over-the-shoulder e com isto é nos apresentada uma nova visão desta cidade e os imensos interiores que visitamos ao longo da experiência, algo que apreciei bastante dada a tremenda atmosfera de cada cenário.

No entanto com esta mudança de perspetiva veio um foco acrescentado no combate que francamente não funcionou de todo para mim, não só há muito mais inimigos que no jogo original eles são muito mais persistentes e agressivos, tornando a evasão dos mesmos, um dos meus aspetos favoritos em todo o género, algo praticamente impossível pois por vezes tentava resolver um simples puzzle ou colecionar um pequeno item numa sala e de repente dou por mim encurralado por 3 ou 4 inimigos, tornando-se frustrante a exploração de certas áreas pois alguns dos adversários são demasiado resilientes e fortes para se combater em grupos, mas se não o fizer a progressão torna-se um problema, sinceramente preferia que se tivessem mantido mais fiéis ao original pelo menos na sua quantidade, pois isto torna as novas áreas que foram adicionadas algo irrelevantes, dei por mim mais focado em combater cada inimigo que a desfrutar e explorar estas novas adições, afetando um pouco a fluidez da progressão porque tinha de matar quase todos os inimigos com que me deparava a cada puzzle que fosse fazer, tornando-se algo maçador pois o sistema de combate, embora funcional é demasiado simplista, tornando-se muito repetitivo perto do fim do jogo, sendo uma espécie de Callisto Protocol mas sem tantos problemas nos controlos.

Mas falando do que realmente importa nesta série: os puzzles. Adorei praticamente todos os puzzles, tanto os antigos como os novos, em especial os que dependem de colecionar ficheiros adjacentes e uma atenção especial para o cenário em redor para os resolvermos.
Além disso temos também vários tipos de colecionáveis para descobrir, desde ficheiros a paisagens reminiscentes do jogo original, algo que foi interessante de se encontrar e gostei dessa adição.

O jogo utiliza o Dualsense de uma forma eximia, desde os Haptics aos gatilhos adaptativos, tudo funciona de uma forma exemplar que acrescenta a cereja num bolo já muito imersivo e atmosférico, quem gosta das funcionalidades do comando vai sair surpreendido deste jogo.

Em suma, Silent Hill 2 Remake é um remake bastante bom e fiel ao original que está quase no ponto, mas falha ao tentar focar-se num combate algo repetitivo e enfadonho que arrastam um pouco a experiência, pelo que lhe atribuo um 7/10.

Leave a comment