Análise: “Imperator: Rome”

Imperator: Rome” é um real-time strategy para o PC – Steam, Paradox Store – e gostaríamos de agradecer à Paradox Interactive pelo código que tornou esta crítica possível.

Imperator: Rome” é a nova entrada da série de real-time strategy pela Paradox Studios. Paradox é o estúdio por trás de grandes títulos como, “Europa Universalies 4” e “Crusader Kings 2”, que são relevantes para esta análise, considerando que “Imperator: Rome” é fruto de ambos os jogos. Jogadores de qualquer um destes jogos – no meu caso dos dois – poderão encontrar bons elementos de “Europa” e “Crusader” neste título.

Imperator: Rome” apresenta-se como um grand strategy game em que controlarão uma nação entre um leque incrivelmente variado no início da vossa campanha. O vosso objectivo é expandir o máximo que puderem ou tornarem-se o mais poderosos possível por qualquer outro método que entendam. Contudo, o jogador é claramente encorajado a expandir sobre os outros tipos de métodos.

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Assim, caso já conheçam o modelo e os critérios que definem os grand strategy da Paradox, podem passar esta secção, pois abordo levemente a minha experiência com o “Imperator” (algo que explorarei na próxima).

A Paradox é conhecida por bombardear os seus jogadores com mecânicas complexas que exigem tempo e dedicação para as dominar. Por exemplo, na minha primeira experiência com o Europa Universalis, um amigo meu guiou-me pelas movimentações políticas e militares com Timudis. Acerca de duas horas depois, a minha nação estava em chamas pelas mãos de persas rebeldes que invisceraram o meu exército, destruindo o meu processo por completo. Contudo, umas meras 3800 horas depois, tinha a Europa aos meus pés. Iniciando o jogo com a cidade-estado de Florença, formei a Itália e depois o Império Romano.

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O meu ponto é, não se sintam intimidados pela complexidade labiríntica inicial do jogo, incluindo o “Imperator”. Quanto a este jogo, comecei imediatamente com o tutorial para compreender as suas mecânicas, apresentando nitidamente o seio dessas mesmas mecânicas. Faço a advertência para a mecânica “scorned family” que não conseguia entender o funcionamento, mas um rápido vídeo no youtube ajudou-me a perceber que era um simples problema que tinha negligenciado.

Como mencionei previamente, “Imperator” rouba alguns dos seus aspectos de “Crusader Kings 2”, e faz um excelente trabalho. Fãs do último vão adorar a implementação das interacções entre personagens, como aprisionar um vassalo desleal, e, acidentalmente executá-lo pela sua insolência ao império.

Possivelmente, já entenderam que tenho uma forte paixão por jogos de estratégia; a imersão que oferecem, o leve roleplaying que posso vestir (tirando imenso prazer em humilhar os meus prisioneiros de guerra, por exemplo), os elementos e factos históricos introduzidos, etc. Neste sentido, “Imperator” estabelece uma óptima fundação para uma nova entrada, tendo uma notável construção.

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A arte da guerra em “Imperator” é regida por cercar as províncias com o vosso exército; com províncias normais a demorarem um mês (tempo de jogo) a cair; e, outras províncias com fortes – cuja resiliência determina a duração adicional da conquista – que obrigam a perder mais tempo. Dentro dos múltiplos elementos do jogo, distingue-se, que é possível anexar um maior número de territórios sem, consequentemente enfrentar a temida “aggressive expansion”. Jogadores de “Europa Universalis” conheceram a dor de ocupar demasiadas terras e sofrer um conflito virtualmente continental por ódio e medo. Desta forma, recomendo aos novos jogadores, não terem receio de tomar terras dos vossos inferiores rivais.

Relativamente à aos gráficos e à arte do mapa, a Paradox apresenta uma magnífica paisagem, mesmo quando preenchida pela manta de retalho de nações e províncias. Neste tipo de grand strategy não é uma tarefa fácil esboçar um mapa tão detalhado e bonito que não seja cansativo olhar durante horas a fio, mas “Imperator” consegue oferecer esta surpreendente experiência.

A extensa banda sonora do jogo também implementa perfeitamente a atmosfera e o universo do jogo. Contudo, esta excelente orquestra, de uma hora e quarenta e cinco minutos, consegue se tornar um pouco repetitiva em algumas das músicas. No entanto, estou ansioso pelos futuros DLC’S da Paradox, que injectam novas músicas nesta já impressionante galeria de sons (como já é comum nos seus jogos). Sou obrigado a salientar o trabalho de Tobias Gustavvson como head of music, Jonatan Jarperhag, compositor e produtor, e, por fim Emilie Hornlund e Tove Torngren Brun nas cordas.

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Voltando à jogabilidade, “Imperator” surpreendeu-me positivamente pelas mecânicas que adicionaram ao jogo. Enquanto que, não posso admitir ser nenhum “guru” de jogos de estratégia, já desde muito novo que é um género que me agarrou e no qual perdi milhares de horas a tentar subjugar à minha vontade. Por exemplo, em “Imperator”, é possível converter ouro para outros pontos que podem ser gastos em tecnologias. Pode não ser o aspecto mais fascinante, ou até inovador, considerando o percurso de jogos de estratégia desde “Age of Empires”, onde se trocava o excesso de comida por madeira no mercado. Não obstante, a execução tem um enorme impacto na direcção do jogo, permitindo ao jogador usufruir da riqueza da sua nação para ganhar uma vantagem sobre os vossos oponentes, especialmente útil se decidirem iniciar um jogo com Esparta e têm que conquistar o vosso monumental vizinho nas costas da Anatólia.

Porém, depois das dez a vinte horas de jogo que tive, existem dois pontos negativos que tenho de abordar: primeiro, não é um jogo difícil. Admito que este ponto – e o seguinte – são tópicos subjectivos, dependendo de pessoa para pessoa, contudo, não seria falso dizer que os fãs do género adoram estes jogos puramente pelo desafio que oferecem. De novo, comparando com “Europa Universalis”, um jogo onde já me tinha tornado numa superpotência europeia, tinha a minha fronteira oriental a ser devastada por um estado islâmico. “Imperator” está ausente deste peso e/ou intensidade estratégica. Ao mesmo tempo, isto significa que é um jogo mais acessível para novos jogadores, uma vez ultrapassado o inicial malabarismo de microgestão; o segundo, é a questionável rejogabilidade do jogo. Ao contrário de outros títulos em que perdia um dia inteiro sem me aborrecer, “Imperator” não consegui hipnotizar-me da mesma forma. Porém, seria injusto comparar “Imperator: Rome” com estes títulos monumentais como “Europa Universalis” sem mencionar que o primeiro está num estado de lançamento, e “Europa” já conta com mais de dez DLC’s. Removendo esse conteúdo adicional, “Imperator” está num estado superior ao de “Europa” quando foi lançado. Sendo uma fácil recomendação para quem sente-se amedrontado por este género, nomeadamente, pela sua “learning curve” não ser tão ingreme à dos outros títulos.

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Concluindo, apesar dos seus problemas, o jogo não deixa de ser uma grande entrada para o enorme catálogo de jogos da Paradox Interactive. O seu foco militarista – abandonando outros apectos para o seu fortalecimento – oferece jogos menos dinâmicos e interessantes, retirando ao jogador a multiplicidade de escolha, como “Europa”. Não obstante, em defesa de “Imperator”, isto está ligado ao período histórico em que situa. Linhagens reais, uniões pessoais e herdar reinos, não são processos que ocorriam na Roma Antiga. Ao mesmo tempo, também é possível argumentar que poderiam ter procurado substitutos equivalentes, como interacções diplomáticas, a presença do Senado ou até espionagem para influenciar o destino de nações rivais. Independentemente há imensas coisas que o jogo faz bem, como a música, os visuais, o belicismo e as interações de personagens. Antes de dar a nota final, tenho de dizer que é impossível não identificar o potencial deste jogo, especialmente, tendo em conta a atitude pós-lançamento da Paradox – ao custo de conteúdo dispendioso, rondando os dez a vinte euros. Assim, tenho a certeza que se tornará num jogo fenomenal, mas, para já atribuo um 8.5 em 10.

Imperator: Rome no OpenCritic

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