Análises

Metroid Fusion… 16 anos depois

Todos os fãs de videojogos conhecem Metroid, sendo uma das mais antigas e respeitadas franquias da Nintendo, Metroid é considerado um dos jogos mais influentes de sempre na indústria, popularizando o género ao lado de Castlevania, denominado de MetroidVania. Uma óbvia junção dos nomes de ambos, que serve para classificar jogos constituídos por um mapa com várias zonas interligadas onde normalmente se desbloqueiam com certas habilidades adquiridas ao longo do jogo. Sendo uma série com mais de 30 anos, Metroid recebeu múltiplos títulos, presentes em quase todas as consolas da Nintendo, a última entrada foi Metroid: Samus Returns na Nintendo 3DS e um novo jogo, Metroid Prime 4, está a ser desenvolvido para a Nintendo Switch.

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Metroid Fusion é o 4º jogo da franquia, lançado em 2002 para a Gameboy Advance – no mesmo ano do lançamento do Metroid Prime para a Nintendo GameCube. Metroid Fusion segue a aventura de Samus Aran (a protagonista do jogo) na estação de pesquisa BSL.

O enredo é simples: a protagonista estava a explorar a superfície do planeta SR388 com uma equipa de pesquisa da BSL quando são atacados por um parasita baptizado de “X”, a Samus é vítima do ataque deste parasita e é infectada, tendo perdido a consciência durante a sua viagem de volta ela sofre um acidente, mas é resgatada por uma equipa da Galactic Federation, e graças a uma vacina fabricada com células de Metroids ela sobrevive à infecção dos “X”. É então aí que a protagonista descobre que a estação BSL foi totalmente infectada pelos “X”, a Samus é enviada para lá para estudar e erradicar este novo inimigo.

A narrativa serve apenas de segundo plano para o gameplay já que ao longo do jogo há poucos diálogos, onde a maioria serve para apresentar um objectivo ao jogador, caso este se perca. Dito isto, o jogo tem momentos muito bons, a melhor parte da narrativa é contada visualmente, seja através do ambiente, mapa ou pequenas cutscenes. Como é de esperar, este jogo tem um ambiente único, quase desconhecido, e acerta-lo lindamente, a banda sonora é calma e sinistra enquanto se explora os cantos da estação destruídos pelo “X”, destacando-se em momentos de suspense: o vírus “X” é capaz de copiar o aspecto e habilidades dos seres que infecta, durante a sua exploração a Samus depara-se com uma cópia de si própria, com todas as suas habilidades, e porque a protagonista perdeu todas essas habilidades quando a sua nave se despenhou, o “SA-X” (nome dado à cópia da Samus) é muito mais forte que ela, isto obriga o jogador a evitar o parasita a todo o custo; e é nestes momentos de cortar a respiração, onde estamos abrigados num pequeno canto da sala enquanto o “SA-X” lentamente vasculha a zona à nossa procura, que noto a genialidade na mistura de sons e visuais para a construção do ambiente do Metroid Fusion.

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Por falar em visuais, o Metroid Fusion envelheceu bastante bem, considerando o hardware da GameBoy Advance, a estética é agradável aos olhos, com uns backgrounds bem desenhados que nunca distraem o jogador do que está a acontecer no jogo. Acerta a 100% aquele feel de “estação espacial vandalizada por aliens monstruosos”, aliens cujo design é apreciável e cumprem o objectivo, mas tirando alguns bosses, não posso dizer que são “únicos” ou “memoráveis”. A Samus também recebeu um novo design, fugindo à icónica armadura laranja e capacete vermelho, tem agora uma palete de cores azul e amarela, com capacete rosa, graças à infecção do “X”, o azul na armadura tem o aspecto de uma membrana a cobrir o antigo Power Suit da Samus, torna-se claro que representa a corrupção do “X”, a tentar consumir a protagonista. O jogo também faz um bom trabalho no que toca à claridade, todos os power-ups, blocos destrutíveis e portas tem aspecto diferente para representar o que representam ou o que os acciona, quase nunca tive problemas em perceber se tinha de progredir mais para desbloquear ou aceder a uma zona secreta que encontrei enquanto explorava. Contudo, há certos momentos onde a clareza visual não está bem aplicada. Falamos da presença de obstáculos na progressão do jogador onde não existe qualquer tipo de dica visual. Isto quebra o ritmo do jogo e testa os jogadores menos impacientes, obrigando aqueles que estão a jogar pela primeira vez a procurar um guia na internet ou a procurar uma saída completamente desorientados. São, para mim, as piores partes do jogo e algo que podiam facilmente ter evitado no design, ou simplesmente mantinham esses segredos nos percursos opcionais do jogo.

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Por fim, o gameplay, tal como os visuais, envelheceu muito bem, controlar a Samus é fácil, rápido e intuitivo, o que faz tanto o platforming como o combate satisfatório e divertido. Com cada melhoria que a Samus recebe apercebe-se imediatamente do aumento do poder destrutivo do seu Power Suit. Não consigo realçar o suficiente o quão satisfatório é adquirir uma habilidade nova, não só torna o jogo viciante graças à vontade de procurar a próxima habilidade, como realça o facto da Samus se tornar cada vez mais forte ao longo do jogo, deixando de ser a presa para se tornar a predadora.

A exploração é um dos pontos mais importantes do jogo, e quem explora todos os cantos do mapa é recompensado com aumentos de vida ou munição. Ao contrário de alguns jogos, explorar é divertido e não tedioso ou frustrante – isto deve-se ao excelente level design pelo qual a série já é conhecida – a maioria dos power-ups estão escondidos atrás de blocos invisíveis ou destrutíveis que facilmente se descobrem com as bombas ou uma Power Bomb. Cada bloco é destruído por uma habilidade diferente, ou seja, certas situações irão obrigar os “complecionistas” a fazer backtracking para alcançar o 100%.

Em relação aos Bosses, todos tem uma fraqueza que devem explorar, tive problemas com dois deles já que estavam a ser particularmente complicados, mas, a frustração não foi um problema, o problema foi voltar ao último save point sempre que morria. Isto fazia percorrer o caminho de volta à zona do boss um pouco cansativa, pode retirar o interesse momentaneamente a jogadores menos pacientes. Na maioria dos bosses os save points estavam perto, mas no meu caso os bosses mais difíceis estavam ironicamente mais longe dos saves.

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Acabei o jogo em 4 horas e cerca de 60% dele foi concluído.


Em suma, o Metroid Fusion é um excelente jogo, mesmo 16 anos depois do seu lançamento. Explorar e combater divertiu-me imenso ao longo de 4 horas de jogo e é uma das razões pela qual adoro Metroidvanias, aconselho a toda a gente para o experimentar, seja numa GameBoy Advance ou num emulador, o mesmo se aplica para o Metroid Zero Mission, Super Metroid ou até Metroid Samus Returns.


E vocês, o que acham do Metroid Fusion?

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