Desenvolvido pela The Game Kitchen, responsáveis pela série de jogos Blasphemous, chega-nos Ninja Gaiden: Ragebound, um regresso desta icónica franquia às suas raízes 2D.
Este jogo conta a história de Kenji, um discípulo de Ryu Hayabusa, protagonista habitual da série. Um dia após o seu mentor partir numa missão para o estrangeiro, o clã Hayabusa é atacado por demónios, forçando o protagonista a partir numa missão para salvar o mundo. Nesta jornada, eventualmente ele conhece Kuromi, uma kunoichi de um clã rival e ambos se veem perante uma decisão difícil às portas da morte e usam um artefacto ancestral para se fundir numa só pessoa de forma a se manterem vivos e poderem travar os demónios com os seus poderes combinados.

No geral gostei bastante da narrativa do jogo tendo em conta o quão paupérrimas costumam ser nos restantes jogos desta série, Kenji e Kuromi têm uma química bastante engraçada e é giro de os ver a mandar piadolas um para o outro ao longo do jogo, ainda assim devo admitir que os vilões foram bastante genéricos, não passando dos habituais demónios que são maus porque sim e não havendo um grande trabalho nesse sentido, mas também não esperava algo demais nesse sentido logo a relação dos 2 protagonistas já me bastou para gostar da história e acontecem coisas interessantes ao longo desta aventura.
Visualmente este jogo emprega uma Pixel Art extremamente apelativa, muito semelhante ao estilo artistico dos Blasphemous, mas notam-se melhorias e evolução na arte do estúdio desde então, sendo os sprites das personagens e inimigos bastante detalhados e os diversos cenários são bastante únicos e com uma temática própria, desde um laboratório subterrâneo a uma caverna com destroços de navios portugueses, este jogo faz uma boa utilização das várias localizações visitadas.

A nível técnico, joguei este jogo no PC e a experiência foi quase irrepreensível, havendo apenas 2 ou 3 níveis que tiveram algumas quebras na fluidez, curiosamente mais na parte inicial do jogo, todo o restante jogo não tive quaisquer problemas.
A banda sonora, composta por Sergio de Prado, é fenomenal, especialmente nos combates, dando um entusiasmo adicional às várias lutas que existem neste jogo, em especial os bosses, e alguns dos temas fizeram-me lembrar a banda sonora de Marvel vs Capcom 3.

Ao nível da jogabilidade estamos perante um retorno às origens 2D da franquia em muitos aspetos, nomeadamente o leque de habilidades de Kenji é muito inspirado nesses jogos, mas temos algumas novas adições que o tornam muito mais habilidoso e veloz, nomeadamente a capacidade de fazer cambalhotas para nos deslocarmos mais rápido e desviarmos ataques, bem como contra atacarmos rapidamente e o Guillotine Boost que funciona como um parry a la Cuphead em que saltamos para rechaçar ataques e armadilhas sem levar dano, algo que adorei pois torna certos níveis um deleite ao saltar de inimigo em inimigo, porém por vezes dei por mim a querer fazer esta ação e não o conseguir sem razão aparente, caindo para a minha morte e também tive alguns problemas ao efetuá-la ao sair de muros, tornando algumas sequências ligeiramente frustrantes.
Já Kuromi foca-se mais em longo alcance, utilizando Kunais para atingir os inimigos e interruptores longínquos, inicialmente achei este estilo algo fraco comparado com Kenji, mas quando se domina dá quase para tornar o ecrã num festival de projéteis que destroem os inimigos todos.

Quando preenchemos uma barra junto da de vida desbloqueamos um ataque devastador denominado Ragebound Art que podemos alterar o seu propósito à medida que adquirimos novos ataques, mas normalmente resulta num ataque que consegue limpar a maioria dos inimigos presentes no ecrã.
E esta aquisição de novos ataques e talismãs para melhorar as nossas personagens é feita através da típica loja de Muramasa, que regressa dos jogos anteriores e à medida que colecionamos besouros dourados nos diversos níveis podemos gastá-los para obter novos talismãs com habilidades diversas como ataque fortalecido às portas da morte ou curar vida por cada inimigo derrotado, mas também obter ataques novos para Kuromi e novas Ragebound Arts, sendo um sistema que incentiva mesmo à exploração e coleção de todos estes besouros e outros colecionáveis como pergaminhos que desbloqueiam níveis extra.

Algo que também adorei foram as lutas contra Bosses, a grande maioria bastante desafiante, mas nunca injustas, sendo divertidas e diversas, com designs e habilidades interessantes que utilizam bem os sistemas que o jogo nos dá para dominar a nível de combate.
O jogo embora curto, durando apenas 4 a 6h, umas 8 se apanharem tudo é uma experiência concisa e agradável que não se arrasta, sendo a duração perfeita, embora quisesse mais, algo que de certa forma tive, porque ao acabar o jogo desbloqueamos o modo Difícil, que inicialmente desvalorizei, mas na realidade muda fundamentalmente o jogo inteiro, sendo alguns níveis radicalmente diferentes e a abordagem para os passar não é de todo a mesma, sendo uma proposta interessante caso tenham interesse
Denoto também a existência de um modo de assistência robusto, que nos permite ajustar diversos parâmetros de forma a personalizar a dificuldade da experiência, desde dano recebido (que pode mesmo ser mudado para 0) ao tamanho da hitbox do Guillotine Boost, facilitando os rechaços.

Em suma, Ninja Gaiden Ragebound é uma experiência excelente que revitaliza a franquia no que a 2D diz respeito e me deixou a salivar por mais, possuindo um combate divertido e confrontos desafiantes, mas nunca injustos, atribuo-lhe um 8.5/10.
