The Plucky Squire é um bom exemplo de apresentação sobre execução (Análise)

Todos os anos parece que há sempre uma pequena seleção de jogos “independentes” que ganham logo muita atenção dentro dos nossos círculos das redes sociais pela sua forte, ou diferente, direção artística e um bom esforço de marketing por trás da distribuidora do jogo “indie” que vos convence a dar uma olhadela ao que outrora podia ser apenas outro pequeno jogo “giro mas cai no esquecimento passado algumas semanas”. O título do estúdio All Possible Futures é um deles, com isto, digo que é um dos jogos que me saltou à vista num momento e picou-me a curiosidade para o experimentar, e também é um jogo “giro mas cai no esquecimento passado algumas semanas”.

Por sorte ou acaso, acabámos por receber uma chave para análise por parte da Cosmocover/Devolver Digital (um obrigado de nossa parte), e uma boa oportunidade para saciar a curiosidade. Passo então, à análise do El Escudero Valiente.

Espera, porque é que isto está em espanhol?

Depois de mudar o idioma da Steam para Inglês (estava em português, nem sei porque é que o jogo decidiu ficar em espanhol), lá consegui espantar o ibérico no pequeno escudeiro.

The Plucky Squire é um jogo de aventura e puzzles com um estilo de jogo à The Legend of Zelda na sua base e uns quantos mini-jogos e mecânicas inspirados em outros jogos – desde Punch-Out a Baba Is You – com a sua maior e mais apelativa mecânica sendo o salto entre 2D e 3D, onde o protagonista consegue saltar do seu livro de histórias para o “mundo real”. Mecânica que por sua vez não é necessariamente original e também conseguem traçá-la aos jogos do Mario ou Zelda.

Ainda assim, a direção artística promete, e há sem dúvida aqui uma apresentação muito forte. Os desenhos em 2D super animados e coloridos são, para além de fofos, excelentes execuções da arte para um livro de crianças. E não é “simplesmente” 2D, a câmara está a apontar para um livro animado, onde o ato de folhear o livro também é mudar de nível dentro do próprio jogo, até é um aceno engraçado aos The Legend of Zelda em que tínhamos de esperar para que a câmara mudasse de perspetiva para vermos o próximo “quadrado” do nível. Lembra-me o The Pedestrian, também um jogo de puzzles, em que saltavas entre plataformas 2D com um boneco também 2D mas todo o mundo que o rodeava era em 3D.

Eventualmente podemos literalmente saltar fora do livro para explorar o mundo real, e embora artisticamente o mundo 3D é muito mais genérico e menos interessante que o 2D, penso que houve ali alguma criatividade na implementação de mecânicas entre estas duas perspetivas, como poder virar as páginas do livro para aceder a páginas antigas e itens que ficaram para trás nessas páginas, ou importar itens do “mundo real” para resolver puzzles. Infelizmente, a fórmula repete-se bastante para o que é um jogo curto de 7 horas. E tirando os mini-jogos (que normalmente até são boss fights), não há tanta variedade nas mecânicas de jogo ou no level design como eu gostaria que houvesse. Até acho que, apesar da criatividade inicial, houve mecânicas por explorar e espaço para mais.

E verdade seja dita, senti que The Plucky Squire, para todas as suas inspirações, faz muito pouco de interessante com elas: A exploração ao estilo de The Legend of Zelda? Pouco profunda, o jogo até é super linear; As mecânicas onde trocam as palavras para controlar o jogo? Muito fraquinhas e óbvias (mas se acharam piada à coisa, aconselho Baba is You); A troca entre 2D e 3D? Tal como disse acima, pouco explorada. Talvez seja da sua natureza mais infantil e a audiência alvo sejam os pequenos, mas confesso que não vejo o porquê de dar isto a um miúdo, porque, para todos os defeitos de The Plucky Squire, há um que destrona todos.

O JOGO NÃO SE CALA. A sério, gostam de ser interrompidos a cada dois minutos por diálogo fútil, ou para terem soluções para puzzles que nem sequer ainda começaram? Isto é perfeito então. Eu sinto, sem hipérboles, que quase metade das minhas 7 horas no The Plucky Squire foram diálogos. O jogo não respeita o jogador, e muito menos o ritmo, The Plucky Squire pega no conceptual ritmo de jogo, leva-o para um beco e espanca-o com um taco de baseball. As suas tentativas de humor raramente acertam e o que podia ser uma história simples e fofa é um argumento de causar frustrações ou revirar os olhos porque “Querias jogar? Temos pena, eis o que tens de fazer a seguir:” é o lema do jogo.

E é este o sabor que The Plucky Squire deixa na boca no fim da sua campanha. O potencial estava lá, mas a falta de exploração das suas mecânicas e as constantes quebras de ritmo amarguram qualquer curiosidade e interesse que outrora tinha. Oxalá o estúdio consiga fazer melhor no seu próximo título. Neste momento, dificilmente recomendaria o jogo. Atribuo uma nota de 5.5 em 10.

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