Uma autêntica carta de amor aos fãs – Shinobi: Art of Vengeance (Análise)

14 anos após a sua última aventura, Shinobi parecia tão morto como Ninja Gaiden, mas a SEGA lembrou-se de encarregar a Lizardcube, o estúdio responsável pelo excelente Streets of Rage 4, com o futuro desta franquia adormecida e o resultado é fenomenal, uma autêntica carta de amor na forma de um jogo de ação de plataformas 2D.

Este jogo conta a história de Joe Musashi, o líder do lendário Clã Oboro, que se vê como a única força restante capaz de impedir a corporação malvada ENE Corp de dominar por completo o mundo, e é assim que a história começa, com a vila e clã de Joe a ser atacados e rapidamente este vê-se obrigado a travar os planos desta corporação e o seu líder, Ruse.

Uma premissa simples, mas ainda assim muito eficaz e no geral fiquei surpreendido com as prestações vocais, em especial na versão japonesa, denota-se que houve uma atenção redobrada na narrativa mesmo que esta se mantenha relativamente simples na sua natureza.

No que ao quesito visual diz respeito, este é facilmente dos jogos mais bonitos que já joguei, a direção artística em especial é fenomenal e das melhores dos últimos anos, em especial quando combinada com HDR, conferindo uns visuais inacreditáveis a este jogo, muito pela sua natureza desenhada à mão e com cores garridas, correndo na perfeição a 4K60 na PS5, gostaria de ter visto uma opção para jogar o jogo a 120fps, mas ainda assim a experiência é completamente irrepreensível.

Como já nos tem habituado há muitos anos, Tee Lopes cozinhou mais uma vez uma banda sonora de brandar aos céus, sendo esta dos seus melhores trabalhos até hoje, empolgante e frenética, sinto que encaixa na perfeição no estilo de jogo.

O que mais me surpreendeu e cativou foi sem dúvida o seu sistema de combate, que é surpreendentemente robusto com um foco em combos e combinações de botões diferentes de forma a maximizar o número de golpes, fazendo a tempos lembrar um autêntico jogo de luta no seu ritmo e forma de abordar muitos dos encontros, sendo um jogo fácil de se jogar, mas absurdamente difícil de se dominar, embora por vezes o jogo exija um tipo de perfeição que o mesmo não consegue acompanhar e o resultado é alguma frustração.

E por falar em dificuldade, este jogo não é pêra doce, até os inimigos básicos podem por vezes ser traiçoeiros, mas os bosses é onde a dificuldade dispara por completo, apresentando-nos confrontos épicos em escala, porém altamente desafiantes e eu adorei cada segundo dos mesmos, embora tenha sentido que em alguns destes confrontos a duração e as mecânicas necessárias para os derrotar os tornaram um pouco enfadonhos de tentar novamente.

Onde também o jogo nos desafia é nas suas secções de plataformas, algumas delas requerendo um domínio completo das mecânicas de movimento presentes no jogo, que se tornam ainda mais necessárias, pois Shinobi: Art of Vengeance, para minha surpresa é um Metroidvania, mesmo com a sua estrutura linear baseada em níveis isolados, não só cada nível tem imensos segredos que nos incentivam a voltar como à medida que Joe progride na sua jornada adquire novas ferramentas que o permitem explorar zonas previamente inalcançáveis e eu adorei este híbrido de estrutura linear com progressão Metroidvania, sendo altamente viciante regressar aos níveis anteriores e ver o que nos faltou, como amuletos e ataques especiais que nos facilitam a jornada, em especial os amuletos que têm efeitos variados, desde um escudo que nos protege o combo a um aumento na eficiência de cura, incentivando à experimentação.

Em suma, Shinobi Art of Vengeance é um jogo magistral, que honestamente só peca por alguns percalços nos bosses e alguns momentos de frustração com os controlos em momentos que requerem em perfeição, ainda assim é a recomendação mais fácil que posso dar, levando para casa um 9/10.

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