Desenvolvido pelos Halberd Studios, chega-nos 9 Years of Shadows, um Metroidvania num estilo Pixelart que bebe muito de Castlevania em específico, lançado originalmente em 2023 no PC e na Nintendo Switch e chega agora à PS5.
A narrativa conta a história de Europa, que 9 anos antes dos acontecimentos do jogo vê a sua vida despedaçada com a morte dos seus pais devido a uma maldição que assola todo o seu mundo. Decidida a vingar-se ela começa a treinar arduamente até que um dia se dirige em direção ao local onde toda a maldição começou e se alastrou, mas rapidamente percebe que o seu treino não a preparou de todo para o que a esperava e sofre uma pesada derrota às mãos de uma figura demoníaca, é nesse momento que conhece Apino, um pequeno urso de peluche que possui um estranho poder que permite repelir os efeitos da maldição e a figura em questão, juntos decidem então partir para explorar o restante castelo e acabar com a maldição de uma vez por todas.

A história é relativamente simples, mas justifica o suficiente a ação para ser satisfatória, não é profunda, porém tendo em conta o género do jogo é decente e sinto que faz bem o seu trabalho.
Visualmente, o jogo emprega uma Pixelart estonteante, sem dúvida das melhores que me lembro neste género, todos os locais, personagens e cinemáticas são incríveis e para mim a melhor coisa no jogo, algo ainda complementado por uma boa direção artística que adiciona muita personalidade ao jogo e torna os vários locais visitados bastante distintos.
Ao nível técnico o jogo é quase irrepreensível, correndo a 60fps perfeitos, infelizmente o jogo possui alguns soluços ocasionais derivados à câmara do jogo atualizar a uma taxa mais baixa então fica uma dissonância que embora algo chata a inicio eventualmente me habituei.
A banda sonora, composta pela lendária compositora de Castlevania, Michiru Yamane e Norihiko Hibino, que trabalhou em vários jogos da franquia Metal Gear Solid, é como um todo bastante boa, não está ao nível dos jogos mencionados acima, mas ainda assim adiciona atmosfera às várias zonas e entusiasmo nas diversas lutas.

A nivel da jogabilidade, este jogo introduz uma mecânica algo única neste género, em que os nossos projéteis utilizam a nossa barra de vida como munição, tendo nós de gerir bem essa barra e recarregá-la no timing certo para evitar que levemos dano, pois se levarmos dano 2 vezes (4 com upgrades) quando a nossa barra está vazia morremos e vamos para o último checkpoint. Embora tenha gostado da mecânica dei por mim algo frustrado em certas ocasiões onde a falha no timing do recarregamento rápido me custou caro pois a barra esvaziou mais rápido do que aparentava e quando reparei já era tarde demais, sinto que o sistema podia ser ligeiramente mais intuitivo mas no geral é um conceito interessante que não se vê muito.
Europa ao longo do jogo também ganha acesso a diversas habilidades, como o icónico duplo salto, e armaduras que lhe permitem explorar novos biomas e lhe concedem novas habilidades extra quando equipamos essas armaduras, como poder nadar verticalmente cascatas acima, algo que me fez lembrar a Zora Armor dos Zelda mais recentes.
Algo que apreciei bastante foi as armaduras ideais para cada bioma serem automaticamente equipadas ao entrar numa sala com por exemplo veneno ou lava, algo muito útil poupando ao jogador o stress adicional de gerir a mudança de armadura nestes locais onde rapidamente a nossa barra de saúde se esgota.

Durante esta aventura existem também diversos bosses por enfrentar, e muitos deles são lutas concetualmente engraçadas e com mecânicas interessantes, porém senti que eram algo “esponjas” e as lutas demoravam demasiado tempo em casos, algo ainda mais acentuado pelo facto do jogo sofrer de ligeiros problemas de colisão então muitas vezes certos ataques de Europa parece que vão colidir com o inimigo mas não há feedback do mesmo.
O grande colecionável do jogo consiste num conjunto de missões secundárias atribuídas por músicos que à medida que as completamos se juntam ao nosso hub central, onde podemos também fazer melhorias com base nos items musicais que encontramos ao longo dos vários biomas.

O jogo até faz bom uso do Dualsense no que toca ao Haptic Feedback, ajudando na questão do timing da regeneração da barra de saúde, embora sinta que podiam ter adicionado mais efeitos para dar uma maior imersão ao mundo que exploramos.
Em suma, 9 Years of Shadows é um Metroidvania competente que me divertiu, porém sinto que é daqueles jogos que com um sucessor no futuro pode finalmente brilhar e cumprir o seu potencial sem as amarras de um sistema de gestão da barra de saúde pouco intuitivo e problemas de colisão nas lutas, pelo que lhe atribuo um 6.5/10.
