Há umas semanas recebi um email sobre o lançamento do Pepper Grinder e fiquei um bocado surpreso; conhecia o título através de um vídeo do videogamedunkey, mas já foi há quase 7 anos e pouca discussão vi sobre o mesmo desde então. Assumi que este pequeno jogo tivesse sido devorado pela avalanche de pequenos jogos que saem todas as semanas de todos os meses. Independentemente de quanto tempo passou, continuava interessado no jogo e a Cosmocover foi gentil o suficiente para nos ceder um código para análise, pelo qual agradecemos.



Controlam uma caçadora de tesouros, Pepper, que naufragou numa ilha estranha, populada por criaturas trapaceiras que lhe roubam o tesouro. Com a sua ferramenta, Grinder, Pepper escava e fura o seu caminho pela ilha até recuperar o seu tesouro e derrotar o líder destes monstrinhos conhecidos como Narlings.
Na sua base Pepper Grinder é um jogo de plataformas 2D, com a reviravolta de poderem perfurar e “nadar” por certos solos. O movimento é a essência deste jogo e é uma mecânica bem executada. Era muito importante que o estúdio independente Ahr Ech construísse um sistema de movimento com controlos responsivos e precisos devido à natureza minuciosa do level design aqui, e não falharam. Escavar pelos terrenos e usar o ímpeto da personagem para saltar dum terreno para o outro num movimento fluído é satisfatório, e quanto estão em alta velocidade a voar dum pedaço de terra para o outro no meio de explosões e inimigos a perseguir-vos é quando o jogo alcança o seu pico. Há quatro lutas contra bosses que requerem melhores reflexos do jogador, sobretudo no final onde senti um salto de dificuldade um pouco forçado. Os bosses nunca brilham tanto como os níveis normais, já que são lutas mais tradicionais em vez de puzzles, e apesar do bom movimento do jogo, andar às voltas numa área pequena para acertarem no ponto fraco do inimigo não é tão divertido como saltar, baloiçar e voar pelas plataformas.
No que toca à direcção artística, à primeira vista, é mais um jogo com pixel art colorida e aquele charme que centenas de outros indies já replicaram. Isto não é uma crítica: embora não se vá destacar neste aspecto, há aqui alguns bons pedaços visuais que até me surpreenderam, como os fundos que, apesar do estilo 2D, jogam com a perspectiva da câmara para dar a ilusão de ter aquela terceira dimensão e adiciona alguma profundidade aos níveis; as animações também ajudam muito o movimento fluído e o impacto do Grinder fazem com que certas partes do jogo sejam um espetáculo de explosões e caos fabulosos.

Dito isto, acabei a campanha principal de Pepper Grinder em menos de 3 horas. Por um lado, foi um bom contraste com jogos que tenho jogado ultimamente (Like a Dragon e Final Fantasy, ambos duraram 80 horas cada). Por outro, senti que o Pepper Grinder tinha mais para mostrar com as suas mecânicas de jogo: há aqui espaço para desenvolver mais puzzles, mais ideias para os níveis e mais ferramentas. Se fizerem todos os desafios contra o tempo e apanharem todos os colecionáveis vão estender bastante o tempo de jogo. Pessoalmente, não tenho muito interesse nisso: o jogo é divertido, mas não me vai fazer voltar sem adicionarem conteúdo novo com novas ideias. Neste momento, é uma boa base com espaço para crescer. Atribuo uma nota de 7 em 10. O jogo custa apenas 14,79€ na Steam, se gostarem de fazer speedruns ou apanhar todos os colecionáveis em platformers, vale o preço.
