Lost Soul Aside – A alma não foi a única coisa que se perdeu… (Análise)

Anunciado em 2016, Lost Soul Aside parecia um promissor Hack and Slash no início da era em que o género começava a declinar em qualidade e quantidade. Coincidentemente, o género Soulslike vinha a ganhar cada vez mais popularidade e, seja por causalidade ou correlação, os jogos de ação mais tradicional foram relegados para segundo plano. Desenvolvido por uma única pessoa inicialmente, este jogo parecia mais um sonho que algo concreto e fazível, mas mantive a esperança que saísse um dia… Depois de o jogar, não sei se não teria sido melhor ter permanecido no limbo.

O jogo conta a história de Kaser, que junto com a sua irmã Louisa, fazem parte de um grupo de resistência contra a tirania do império onde vivem, e no exato dia em que põem em marcha um plano para afetar as operações do império, o mundo é atacado por forças extra-dimensionais designadas de Voidrax.
Kaser neste ataque cai através de uma fenda criada pela destruição que se segue e descobre um laboratório secreto do império, onde encontra um Voidrax aprisionado chamado Arena, que lhe concede parte do seu poder e permite a Kaser voltar à superfície. Pouco depois de se encontrar com Louisa, a alma dela é roubada e assim começa a trama do jogo com Kaser focado em salvar a alma da sua irmã custe o que custar.

O género de hack n’ slash nunca contou com excelentes narrativas ou escrita complexa, mas o Lost Soul Aside destaca-se mesmo dentro deste grupo pelo quão mau consegue descer neste aspeto: as personagens são pedaços de cartão falantes com performances vocais inconsistentes, que no seu pior, relembram alguns momentos infames de jogos dos anos 90, como Shenmue.

No que toca aos visuais o jogo é bonito e apresenta algumas paisagens apelativas nos locais que visitamos, mas infelizmente sinto que à medida que progredi mais o jogo recorreu a corredores vazios sem grande distinção e texturas algo manhosas, tornando um jogo já algo aborrecido ainda mais monótono pois nem os diferentes locais que visitamos ao longo da aventura o salvam, e as cinemáticas são por vezes francamente amadoras, havendo algumas espalhafatosas e cheias de pancadaria de peso e logo a seguir dá uma cinemática onde as personagens mal se movimentam, parecendo robôs.

O jogo também peca na claridade visual nos combates, não só não há feedback dos golpes que acertamos ou sofremos de todo, como não há sensação nenhuma do impacto das armas que usamos, parecendo que estamos a manejar paus de papel e a acertar em blocos de betão que mal reagem, e a utilização excessiva de partículas não ajuda, prejudicando ainda mais isto e mal se conseguindo perceber quando o inimigo vai atacar.

A banda sonora é sem dúvida das únicas coisas boas neste título, contando com a presença de nomes pesados da indústria como Yoko Shimomura e no geral é uma banda sonora excelente, que infelizmente sinto ser desperdiçada num jogo tão medíocre.

No que toca à jogabilidade, é das poucas coisas que se aproveita no pacote como um todo, mas mesmo esta tem problemas graves que a tornam enfadonha, nomeadamente os inimigos e os bosses têm demasiada vida, demorando imenso a derrotá-los e dada a baixa variedade dos inimigos e os níveis por si só já demorarem bastante, dei muitas vezes por mim extremamente aborrecido só para concluir um nível pois a grande maioria dos encontros são obrigatórios e mesmo os mais fracos dos inimigos que encontramos demoram algum tempo para serem derrotados. Prefiro a aproximação de hack n’ slashes como Bayonetta, onde os níveis e combates são bem mais curtos e o desafio está em derrotar os inimigos com bons reflexos e expressividade de combos, do que numa batalha de atrito enfadonha contra esponjas de dano.

O jogo dá-nos 4 armas distintas ao longo da jornada, mas tirando a primeira e a última nenhuma é particularmente boa a derrotar rápido os inimigos e a última só é desbloqueada nas últimas horas do jogo, tornando-a quase inútil, o que é uma pena porque foi das poucas vezes que dei por mim a divertir-me bastante com a mesma.
As habilidades de Kaser podem ser melhoradas com pontos que vamos ganhando, mas senti que o custo é tão elevado que o melhor é focarmo-nos simplesmente naquilo que utilizamos e ignorar as restantes armas de forma a não nos vermos impedidos de desbloquear algumas habilidades úteis como aumento da chance de ataques críticos.

A estrutura do jogo divide-se em 2 vertentes, sequências de exploração pela cidade imperial onde interagimos com NPCs e compramos items para nos prepararmos para as missões seguintes e os níveis propriamente ditos, mas nenhuma das vertentes é particularmente boa, a cidade é uma desculpa para comprarem items, sendo as interações com NPC quase nulas e os níveis consistem em simples arenas interligadas por corredores com sequências de plataformas, que por sinal é bastante mau, Kaser raramente aterra no sitio que queremos, levando a imensas quedas para o abismo mesmo parecendo que vai aterrar em segurança no chão. Estes níveis são também como já disse extremamente longos, o jogo se fosse 10h mais curto era ao menos um jogo medíocre que abusava da paciência do jogador, mas não, estamos perante um jogo de 20 a 25h a roçar o amadorismo.

Em suma, Lost Soul Aside é um mau jogo, não há outra forma de o dizer, tem um punhado de boas ideias, mas a execução é no geral horrenda, o combate tem momentos de divertimento, mas para um jogo que custa 60 euros é inconcebível recomendar este jogo, pelo que lhe atribuo um 4/10.

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