Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii – Não há terra nem fim à vista (Análise)

Mais um ano, mais uma entrada nova na série previamente conhecida no ocidente como “Yakuza“.

Lançado para a PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X/S e PC, Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii evoca o mesmo sentimento que o seu título sugere, é demasiado longo, desnecessário e deixa-vos com a pergunta: “Porquê?”

Voltamos à pele de Majima Goro, um dos personagens favoritos dos fãs que já não era protagonista da sua própria aventura desde a história extra em Yakuza Kiwami 2 e do seu co-protagonismo em Yakuza 0. Depois de se ter encontrado naufragado numa ilha perto de Hawaii, Majima perde as suas memórias (mas não a sua personalidade), e encontra um rapaz, Noah Rich e um gangue de piratas presos no século XVII. Depois de algumas “Majimazices”, o louco acaba por se tornar capitão do seu próprio navio e navega à procura das suas memórias de volta, e de um tesouro misterioso.

Narrativamente, o que é que eu posso dizer que não tenha já repetido nas minhas outras análises aos jogos da Ryu Ga Gotoku Studio? História exagerada e personagens caricatas? Check. Momentos épicos e/ou cómicos? Estão lá. Conteúdo obrigatório dispensável que só serve para extender artificialmente a longevidade do jogo? Pimba, toma.

Não é nada de surpreendente, Yakuza sempre contou com estes enredos ridículos e tirou proveito deles. Geralmente acho que conseguem ter a sua piada, e quando vi o anúncio deste último lançamento fiquei curioso: como é que vão contar a história de um ex-Yakuza a tornar-se um capitão pirata? Tem uns bons pedaços cómicos, provavelmente são o melhor que vão conseguir retirar desta história. O resto do enredo é desinspirado, remastigado e reflete o jogo em geral: completamente descartável.

A jogabilidade e mecânicas é onde vemos mais alterações e novidades. O combate é parecido ao Like a Dragon Gaiden de 2023, com um foco ainda maior num grande número de inimigos no ecrã. Quando o protagonista está a derrubar ondas de inimigos às dúzias o jogo lembra um musou. Eu não sou grande fã do género, preferia um combate mais carregado em combos expressivos e menos no confronto de hordas que nos foi oferecido. Sinto que o produto final é mais superficial e a longo termo mais aborrecido, porque os combates acabam por se conformar aos mesmos combos, à repetição de heat actions e animações, acabando inferior comparado aos sistemas de combate anteriores dentro da série (como o Lost Judgment ou Yakuza 0). Não digo que não é possível retirar diversão dos combates e das arenas, é apenas o tipo de combate que não puxa por nenhum tipo de capacidades, o qual é bom para jogar às duas da manhã quando o nosso cérebro já está meio desfeito mas ainda precisamos de ajuda a adormecer.

Não seria um jogo de piratas se não houvesse combate naval, e o de Pirate Yakuza é um sistema familiar com um toque mais arcadey. Na maior parte do meu tempo no navio, recordava-me das horas que passei no Jackdaw, em Assassin’s Creed Black Flag, e admito, sentia saudades. As batalhas navais assemelham-se às batalhas terrestres, não na sua escala e natureza musou, mas na sua superficialidade e falta de variedade. Sim, podemos personalizar o nosso navio, e sim, é satisfatório (e bizarro) fazer um drift num navio enquanto atam chamas ao vosso inimigo, mas a estratégia é uma e única do início ao fim do jogo, a diversidade entre canhões é pouca e a dificuldade do jogo limita-se a quem causa mais dano mais rapidamente.

Este breve texto leva-me à questão imposta no início da análise, uma questão que não consigo ignorar e acaba por diluir esta análise numa espécie de discurso retórico: “Porquê?”

Porque é que ainda estamos a lançar um ou mais títulos anualmente que reciclam tudo e mais alguma coisa do jogo anterior quando, apesar da premissa bizarra, há uma notável falta de criatividade e uma necessidade gritante por extender artificialmente estas experiências, para poderem vender um jogo que dura 30 horas quando devia durar entre 10 a 15 por 60€ quando podiam ter lançamentos mais espaçados, mais únicos, mais memoráveis pelo mesmo preço e sem fatigar os fãs. Talvez eu esteja na minoria, afinal, só compra quem quer, mas é difícil manter o interesse numa série que até gosto bastante, quando os últimos lançamentos têm partilhado vários destes problemas.

E na verdade, como um produto final, o Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é um jogo competente. Eu já sinto esta saturação com a quantidade de jogos que a série cospe de rajada cá para fora, mas há diversão a ser encontrada aqui, o combate não requer muito esforço e a história tem os seus momentos cómicos. Não obstante, sou da opinião que, se forem gastar 60€ num jogo, gastem num jogo com sabor. Atribuo um 5 em 10.

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